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Denúncias
surpreendem moradores de San Pedro |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Domingo,
26 de abril de 2009
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SAN PEDRO "Seriedade e formalismo não há com ele", diz Pelaje Mena, diretor do colégio paroquial, que trabalhou de perto com Lugo durante todo o período em que foi bispo de San Pedro, entre 1994 e 2005. "Mas ele se impõe, seja com um sorriso ou uma palmada. Sempre diz 'não' ou 'sim'. Não há 'veremos' com ele." Mena, de 44 anos, conheceu Lugo quando foi seu aluno de teologia na Universidade Católica de Assunção, em 1990. Nas aulas, Lugo citava teólogos da libertação brasileiros, como Frei Betto e Leonardo Boff. Mena diz que se surpreendeu com as notícias da paternidade do ex-bispo. "Mas a imagem que tenho dele não decaiu, nem minha confiança por ele nem pela Igreja. Ele falhou, mas não está sendo acusado de roubar ou de mentir. Gente que rapinou o país agora o está acusando de dupla moral." "Lugo era muito acessível", diz Bartolomé Velázquez, de 56 anos, dirigente da Associação Independente dos Produtores Rurais, que tem 256 membros, entre assentados e sem-terra. Ele lembra que, logo que o bispo assumiu a Catedral de São Pedro Apóstolo, construção colonial datada de 1854, reuniu-se com quatro líderes camponeses das 8 às 21 horas. "Ele dizia que o Paraguai precisava de uma mudança de sistema, porque grandes terras estavam nas mãos de poucos proprietários." Seguiu-se uma onda de invasões e de acampamentos de sem-terra na região. A maioria resultou em desapropriações e assentamentos. O dirigente não está contente com o desempenho social do governo Lugo: "A reforma agrária ainda está avançando pouco." Velázquez também se surpreendeu com os casos de Lugo. "As pessoas são muito sensíveis quanto à religiosidade e os padres e bispos eram um símbolo muito respeitado", diz ele. "Por outro lado, na cabeça das pessoas não cabe que um homem real possa andar sem mulher, seja sacerdote ou não. O bom senso me diz que não pode." "Ele sempre estava ao lado dos pobres", diz Blas Martín, um radialista de 53 anos. Ele e o bispo trabalharam juntos em várias mobilizações populares, incluindo a interdição da estrada entre San Pedro e Santa Rosa, em 2003. Lugo e Martín arrecadaram 45 mil kg de alimentos para o movimento, que reuniu na estrada centenas de pessoas durante três dias. Ao final, conseguiram o que todos os governos prometiam e não cumpriam desde o início dos anos 90: o asfaltamento do trecho de 80 km. "Nunca soube nada sobre seu lado amoroso", garante Martín. "Ele jamais falou de mulher comigo." Sua filha foi aluna de Lugo na Universidade Nacional, em San Pedro, e não notou nenhum tipo de assédio por parte do bispo. "Nem nós, sacerdotes, que estávamos com ele, sabíamos de nada", diz um ex-padre que era muito próximo de Lugo, e prefere não se identificar. "Ele era bispo e recebia visitas de todo tipo de gente. A confiança nele era total." O ex-padre diz que cinco sacerdotes deixaram a diocese na época de Lugo, insatisfeitos com a doutrinação ideológica promovida pelo bispo. "Ele era um bom homem, muito solidário", lembra Angelina Silva, de 68 anos, avó de Benigna Leguizamón, que diz ter um filho de 6 anos com Lugo. Em 2003, quando precisou fazer cirurgia de catarata, Angelina procurou o bispo, por sugestão da neta, que morava com os avós e trabalhava na diocese como faxineira. Lugo lhe deu 300 mil guaranis (hoje equivalentes a R$ 120). "Não esperávamos que fosse um sem- vergonha, capaz de fazer isso." O avô de Benigna, Santiago Leguizamón, de 70 anos, que não recebe aposentadoria e trabalha como pedreiro, por uma diária de 40 mil guaranis (R$ 16), diz que viu numa noite o bispo vir buscar sua neta, no portão de casa. Estranhou, mas não desconfiou do que estava acontecendo. "Estamos com medo", confessa Angelina. "Nossos vizinhos dizem que Benigna não devia ter falado isso, e vamos parar no Buen Pastor (presídio feminino em Assunção)." Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados
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