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Paraguai não
seguirá linha populista, diz ministro |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sexta-feira,
25 de maio de 2007
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ASSUNÇÃO Em entrevista exclusiva
ao Estado, Ramírez, um economista e diplomata de carreira
de 41 anos, faz um balanço positivo da primeira visita bilateral
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, realizada no domingo e
na segunda-feira. Mas insiste que seu governo espera as soluções
prometidas para os problemas de Itaipu e do comércio. O presidente Lula
parece ter sido bastante firme ao rejeitar uma renegociação
do Tratado de Itaipu. Vocês vão insistir? O presidente Nicanor
Duarte Frutos expôs a vontade do governo paraguaio de alcançar
soluções para uma série de questões vinculadas
à administração da entidade binacional e ao preço
da energia. Ambos expuseram os distintos pontos de vista sobre a forma
de chegar a uma solução. O presidente Lula expressou na
declaração conjunta a predisposição de seu
governo de alcançar soluções equitativas a essas
reivindicações. Especificamente, o
que poderia mudar? Já existe uma
solução sobre a eliminação do fator de reajuste
(correção monetária sobre a dívida de Itaipu).
O governo brasileiro editou em março uma Medida Provisória,
que a Câmara aprovou no dia 2 e chegou terça-feira ao Senado.
Esse reajuste fez a dívida crescer muito, e no ritmo que íamos
seria muito difícil terminar de pagá-la em 2023, como previsto.
Tendo a perspectiva de pagar a dívida, se poderá avançar
em obras de uma nova subestação (do lado paraguaio), uma
unidade de medição e eclusas de navegação
do Rio Paraná. Estamos vendo se Itaipu pode financiar uma linha
de transmissão dentro do Paraguai. Aguardamos também que
o Congresso brasileiro aprove o Anexo A, para a co-gestão plena
de Itaipu. A imprensa paraguaia
diz que o presidente Lula não veio com nenhuma definição
sobre Ciudad del Este, e adiou a solução para daqui a 30
dias. Qual a posição do governo? Consideramos que a
visita do presidente Lula reflete o alto nível de entendimento
que existe entre os dois governos. Os comerciantes têm uma urgência
em formalizar todo o comércio na Ciudad del Este e em todo o Paraguai.
Já se chegou a um consenso entre o empresariado e o governo para
eliminar todas as mercadorias piratas, e que se cumpram todas as obrigações
tributárias no Paraguai. Essa formalização tem que
se dar de forma conjunta com o Brasil. O contrabando existe porque há
condições econômicas, corrupção. Dois
temas estão por resolver: a alíquota de imposto a ser cobrada
dos sacoleiros e o volume que eles podem importar por ano.
O Paraguai propõe 18% de alíquota e até R$ 300 mil
por ano. A contraproposta do Brasil é muito mais elevada (50%).
Os ministros da Fazenda e da Indústria e Comércio foram
encarregados de solucionar isso definitivamente e implementar em 30 dias.
Isso tem um impacto social sobre 40 mil famílias de brasileiros
que vivem desse comércio. A nota fiscal, com um código de
barras, garantirá que só produtos legais entrarão
no Brasil. O governo paraguaio está determinado a fazer com que
a corrupção, a pirataria e o contrabando sejam mais caros
que a legalidade. Os paraguaios falam
também de travas, barreiras não-tarifárias
que impedem a exportação de seus produtos de valor agregado
para o Brasil. Há muitíssimas
matérias pendentes. Há vários setores prejudicados,
como plásticos, laticínios, têxteis, agroindústria
e transportes. O Paraguai abriu totalmente sua economia. Com o Brasil,
não sucedeu o mesmo. Há decisões que mudam as regras
do jogo constantemente. Quanto maior valor agregado, mais difícil
entrar no Brasil, por causa dos escalonamentos tributários e das
normas técnicas. Há demoras na liberação na
alfândega que geram custos violentos para os exportadores. A Anvisa
cria regras de rotulagem para os lácteos, mas Ponta Porã
(MT), por exemplo, adota normas totalmente diferentes. E ainda aplicam
alíquotas estaduais e municipais próprias. Quando temos
que transitar no Brasil com nossa soja ou milho para exportar para outros
países, temos de pagar PIS/Cofins. Colocamos todos esses problemas
sobre a mesa, e encontramos no presidente Lula um interlocutor com vontade
de resolvê-los. O Paraguai se aproxima
de uma eleição presidencial (em abril), e há candidatos
que defendem uma postura mais agressiva em relação ao Brasil.
Será que o presidente Duarte Frutos, que apresentou seus candidatos
ontem (quarta-feira), não adotará uma posição
mais agressiva, para atender a exigências eleitorais? De maneira nenhuma.
A relação entre o presidente Duarte Frutos e o presidente
Lula é a melhor possível. Trabalhamos em plena coincidência
de critérios. Que o Paraguai reclame o que considera importante
para seu interesse nacional não implica uma confrontação
com o Brasil. A Bolívia foi
vitoriosa em suas exigências frente ao Brasil. Seu estilo mais contundente
pode servir de inspiração para vocês? De nenhuma maneira. Provavelmente os populistas encontrem uma motivação de exacerbar o nacionalismo para ganhar adeptos e levar a uma confrontação. Esse não é o caso do governo paraguaio. Acreditamos que todas as soluções podem ser encontradas na mesa de negociações. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |