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FHC discute comércio
e política mundial na Polônia |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
25/2/2002
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VARSÓVIA No antigo bairro murado
para onde as famílias judaicas foram transferidas à força
por volta de 1940, soldados com roupa camuflada vigiavam de binóculo
na cobertura de um edifício. No total, 40 agentes participam da
segurança do presidente. Do comboio, fazem parte um microônibus
do Exército e uma UTI móvel. A parafernália é
praxe polonesa, em visitas oficiais. Fernando Henrique
será recebido hoje de manhã pelo presidente Aleksander Kwasniewski.
"Ele é muito interessado na reformulação da
arquitetura de poder no mundo", comentou Fernando Henrique. "O
Brasil tem muito interesse numa aproximação crescente com
a Polônia. Além do mais, nós temos no Brasil uma população
polonesa importante", acrescentou, referindo-se à comunidade
de 1,5 milhão de poloneses e descendentes. O presidente realçou
também o fato de que a Polônia pagou US$ 2,5 bilhões
da dívida contraída na década de 70 na forma das
populares polonetas. A suspensão do pagamento, nos anos 90, foi
ponto de atrito entre os dois países. Fernando Henrique participa
hoje do encerramento de um seminário de empresários, com
a participação de 52 executivos de 33 empresas. "A
Polônia está comprando muito material do Brasil", enfatizou
o presidente. O Brasil tem tido
pelo menos há cinco anos superávit no comércio com
a Polônia. No ano passado, exportou US$ 168,2 milhões e importou
US$ 105,3 milhões. Os principais itens da pauta de exportação
brasileira são aviões, fumo, resíduos de óleo,
minérios de ferro e partes de veículos. A Embraer vendeu
15 jatos regionais para a companhia aérea polonesa LOT. O vice-presidente
da companhia para relações externas, Henrique Rzezinski,
de origem polonesa, participa do seminário de hoje, assim como
os presidentes da Belgo-Mineira, Antônio José Polanczyk,
e da Vale do Rio Doce, Roger Agnelli. Os dois presidentes
firmam hoje um acordo fito-sanitário e outro zoo-sanitário,
abrindo caminho para inspeções recíprocas e a venda
de carne brasileira. "A Polônia está crescendo economicamente
e se reestruturando", diz Francisco Glitz, diretor do escritório
de comércio exterior Frico, de Porto Alegre. A empresa, que está
se especializando em Leste Europeu, pretende intermediar a venda de couro,
cutelaria, medicamentos naturais e têxteis. Segundo ele, o mercado
polonês é um dos mais exigentes da região e sua conquista
abre caminho para a entrada noutros mercados. À noite, Fernando Henrique foi a um concerto, na Filarmônica de Varsóvia, da pianista brasileira Rosana Diniz Cardoso. Seu marido, Carlos Joaquim Inácio Cardoso, primo do presidente, chegou ontem de maca ao Hotel Sheraton. Sob a nevasca de sexta-feira em Estocolmo, ele escorregou no gelo e quebrou o pé direito. Rosana tocou a abertura de O Guarani, de Carlos Gomes, Valses Humoristiques, de Alberto Nepomuceno, e Formas Brasileiras, de Hekel Tavares. 'EU SOU ROMÁRIO' A ligeira ascensão,
nas sondagens, dos pré-candidatos da aliança que sustenta
o governo -- Roseana Sarney, do PFL, e José Serra, do PSDB - não
sensibilizou o presidente Fernando Henrique Cardoso a romper um hábito
que ele diz ter cultivado sempre, mesmo quando foi candidato: não
comentar pesquisas. "De lá para cá melhorou, no caso
do governo", celebrou apenas, em rápida conversa com os jornalistas,
enquanto passeava pelo centro histórico de Varsóvia. "Os dados são
sempre irrefutáveis", admitiu o presidente, ressalvando, no
entanto, que eles captam a realidade de um instante somente. À
pergunta sobre o que achava da queda do pré-candidato do PT, Luís
Inácio Lula da Silva, enquanto sua popularidade subiu, o presidente
respondeu: "Eu não acho. É você que está
dizendo." Os jornalistas então resolveram mudar de assunto
e perguntaram se ele apoiava a convocação de Romário
para a seleção. "Ah, eu sou Romário, eu sou
Romário", repetiu o presidente. Soou como uma retribuição.
Três anos atrás, no calor da crise da desvalorização
do real, o jogador, depois de marcar um gol, ergueu a camisa do uniforme
para mostrar a mensagem na camiseta de baixo: "Eu sou FHC."
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