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Ingleses aceitam cortes de salários |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Domingo,
12 de abril de 2009
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SWINDON, INGLATERRA Os que trabalham no
chão de fábrica estão de braços cruzados desde
dezembro, quando a produção parou. Dos 4.700 funcionários
da empresa, 1.100 aderiram a um programa de demissão voluntária.
A Honda negocia com o sindicato Unite um corte nos salários dos
restantes, para evitar demissões. A Toyota e a Jaguar Land Rover
já cortaram os salários de seus empregados em 10%, a partir
de 1º de março. A BMW, que fabrica os painéis do Mini
em Swindon, dispensou em fevereiro seus 850 trabalhadores temporários
e terceirizados. A produção
de automóveis caiu 59% na Grã-Bretanha, em relação
ao que era há um ano. No desespero de gerar caixa, as concessionárias
estão vendendo carros por até 60% do preço de fábrica.
Nos últimos 12 meses, a produção industrial diminuiu
14%. A crise abala todos
os setores. Os preços das casas caíram 27% em relação
ao seu auge, em outubro de 2007. A IHS Global Insight, empresa de análise
do mercado, prevê que os preços ainda cairão mais
15%; a GMO, sua concorrente, espera queda de mais 25%. O setor da construção
encolheu 4,9% no último trimestre de 2008, em relação
ao anterior, que já tinha diminuído 1,1%. O pedreiro Alan Hitchcock
já se resignou à perda de renda. Há seis semanas,
ele reduziu a sua diária de £ 150 (R$ 484) para £ 100
(R$ 323). "Fiz isso depois de um mês sem fazer nada",
explica Hitchcock, de 61 anos, enquanto toma um chope em um pub de Swindon,
na tarde fria de sábado. "Pelo menos agora trabalho dois,
três dias por semana." Ele diz que seu filho, um encanador
de 22 anos, teve de aceitar corte de 20% do salário na firma onde
trabalha. Num país em
que 340 pessoas perdem o emprego por dia, o corte do salário parece
um remédio, ainda que amargo. Assim como nos Estados Unidos, os
índices de desemprego são tradicionalmente baixos na Grã-Bretanha,
graças à legislação trabalhista flexível,
com encargos relativamente baixos, que encorajam as contratações.
Em um ano, o índice
saltou de 5,2% para 6,5%. No último trimestre, subiu 0,5 ponto,
o que equivale a 165 mil desempregados a mais - o maior aumento desde
1971. Desses, 138.400 começaram a procurar emprego agora, em parte
como resultado da própria crise: alguém em casa perdeu o
emprego, e saíram buscando para tentar ajudar no orçamento
familiar. No total, 1,39 milhão de britânicos estão
procurando trabalho. Os economistas acreditam que esse número ainda
vai aumentar sensivelmente. O governo lançou
um plano de £ 500 milhões (R$ 1,6 bilhão) que oferece
até £ 2.500 (R$ 8.075) para as empresas treinarem e contratarem
pessoas desempregadas há mais de seis meses. Sindicatos patronais
e de trabalhadores elogiaram a boa intenção do governo,
mas explicaram que não é hora de pensar em contratações,
e sim de preservar os empregos existentes. "Dentro de três
meses é ainda mais difícil de imaginar que isso possa funcionar,
com os empregadores lutando para sobreviver durante uma recessão",
disse John Cridland, vice-diretor geral das Câmaras Britânicas
de Comércio. O número de
falências no primeiro trimestre deste ano foi 35% maior que no do
ano passado, segundo levantamento da empresa Equifax. Desapareceram das
"high streets", as ruas principais dos bairros e cidades pequenas,
marcas que faziam parte da paisagem urbana, como as redes Woolsworth e
Zavvi. Instituição britânica, os pubs estão
fechando ao ritmo de oito por semana - embora, além da crise, haja
a proibição de fumar em todos os lugares fechados, que tem
expulsado muitos de seus clientes. Na Edgeware Road,
avenida de comércio tradicional de imigrantes árabes e indianos,
uma das duas lojas de luminárias A & H Bass está torrando
seu estoque com 50% de desconto, antes de fechar as portas. O vendedor
Mahul Shaah estima que o movimento tenha caído entre 30% e 40%.
Hoje, o que a loja vende só dá para pagar o aluguel de £
18 mil libras (R$ 58.140). "Há um ano, essa avenida era extremamente
movimentada", recorda Shaah. "Agora, está morta." Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |