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'No próximo ano ainda haverá
recessão' |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Domingo,
12 de abril de 2009
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LONDRES O Banco da Inglaterra
refinanciou o equivalente a US$ 422 bilhões em dívidas hipotecárias;
criou um instrumento de compra de ativos para socorrer as empresas de
US$ 110 bilhões, dos quais US$ 31 bilhões já foram
usados; o programa de resgate de bancos soma US$ 81 bilhões e as
garantias de depósitos, outros US$ 38 bilhões. Ainda
assim, o PIB encolheu 1,5% no primeiro trimestre deste ano, em relação
ao anterior, quando já havia caído 1,6% - maior queda desde
1980. "A crise ainda
vai durar um bom tempo, porque há muito o que desenrolar no setor
financeiro", diz o economista John Kay. "No próximo ano,
ainda haverá recessão. A idéia de uma retomada geral
em um ou dois anos é bastante improvável." Kay
critica as medidas do governo. "É muito mais importante estimular
a economia que sanear os bancos", acredita. "Os conglomerados
financeiros estão na raiz do problema na Grã-Bretanha e
nos Estados Unidos, e o governo os está apoiando para que continuem
o que vinham fazendo." Na opinião do economista, as instituições
insolventes "deveriam ser recriadas como bancos de varejo, para fazer
as coisas normais que os bancos faziam tradicionalmente", ou seja,
emprestar dinheiro para as atividades produtivas. Um alto executivo
do Citigroup em Londres discorda. Para ele, a culpa pela crise não
é só dos bancos, mas também do governo. Ele lembra
que o primeiro-ministro Gordon Brown era ministro da Fazenda no período
em que se formou a bolha do sistema financeiro. "Ele é o principal
culpado por ter deixado o problema crescer. Agora, quer desviar a atenção",
diz o executivo. Ele teme um ciclo de inflação alta. "O
governo criou cerca de 30 mil empregos públicos. Gastou dinheiro
como um marinheiro bêbado." Tudo indica que a ressaca está
só começando. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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