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Visto como bizarro, Zhirinovsky ganha votos de protesto |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Segunda-feira,
3 de março de 2008
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MOSCOU Uma visita ontem à
seção eleitoral da Universidade Estatal de Moscou Lomonossov,
onde 2.500 pessoas estavam inscritas para votar, dava a impressão
de que o eleito seria o candidato ultranacionalista Vladimir Zhirinovsky.
A razão, no entanto, não são as idéias peculiares
de Zhirinovsky, que dissimula mal seus sentimentos hostis contra os trabalhadores
imigrantes das ex-repúblicas soviéticas, nem o estilo abrasivo
do candidato, que chama seus oponentes de "idiota" e já
protagonizou episódios bizarros, jogando um copo de água
num adversário e expulsando outro do estúdio. É uma
forma de escandalizar; um voto de protesto, numa eleição
considerada injusta. "Gosto de Zhirinovsky
pelo humor dele", disse uma consultora em gestão pública,
que não quis identificar-se porque trabalha para o governo. "Sei
que nada vai mudar. De qualquer jeito, não há opção.
É evidente que vai ganhar o Medvedev. No nosso país, tudo
é muito previsível." O geólogo Mikhail
Malakhov reconhece que "o comportamento de Zhirinovsky deixa a desejar",
e não acha que um governo dele seria melhor. "Tudo vai continuar
como está. Já estamos num rumo, não temos como sair."
Ele admite que o país está estável, mas diz que "muita
gente vive na miséria". O estudante de física
Dmitri, de 21 anos, que não quis dizer seu sobrenome, contou que
essas foram as primeiras eleições em que ele decidiu não
votar, porque viu "muita fraude na eleição parlamentar"
de dezembro. "Isso demonstra que o seu voto não tem valor
nenhum." Dmitri diz que na eleição passada votou no
Partido Liberal Democrático, de Zhirinovsky, "porque é
o partido mais ridículo de todos". Foi um voto de protesto,
explicou. À pergunta
sobre se votaria noutros candidatos da chamada oposição
democrática, que se recusaram a disputar a eleição
por considerá-la injusta, a economista Nina Vodopianova, de 50
anos, respondeu: "Nós nem sequer conhecemos as propostas deles.
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