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Comunista acusa
Putin de armar fraude |
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SANTANNA Enviado especial |
Sábado,
1º de março de 2008
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MOSCOU O candidato do Partido
Comunista a presidente da Rússia, Gennady Zyuganov, denunciou sinais
de fraude nas eleições de amanhã. A acusação
coincide com prognóstico feito pelo instituto de pesquisas Levada
Center, que chega a quantificar a porcentagem esperada de fraude, e com
denúncias em várias partes do país de pressões
sobre funcionários públicos e até mesmo sobre empregados
de empresas privadas com contratos com o governo para votar no candidato
do Kremlin, o vice-primeiro-ministro Dmitri Medvedev. "Existem regiões
onde a falsificação é total, como no Cáucaso,
na República da Mordóvia (centro-oeste do país) e
na região de Kuzbas (oeste da Sibéria), afirmou Zyuganov
a jornalistas, na entrada do prédio da União dos Escritores,
onde participaria de um evento do Partido Comunista, no início
da tarde de ontem. "Nas eleições passadas (para o Parlamento,
em dezembro), compareceram 99% dos eleitores e 98% votaram na Rússia
Unida (partido do governo). Isso levantou muitas suspeitas, e abrimos
cerca de 50 processos." "Se as eleições
fossem justas, o segundo turno seria inevitável", prosseguiu
o líder comunista, que tem 11% das intenções de voto,
segundo o Levada Center. Zyuganov disse que seu partido, que ficou oito
décadas no poder na antiga União Soviética, tem 500
mil fiscais para tentar evitar fraudes amanhã. À pergunta
sobre se os comunistas "partirão para a briga" se Medvedev
se eleger no primeiro turno, Zyuganov, de 63 anos, em geral monocórdico
e pouco carismático, assumiu um ar ainda mais circunspecto: "O
país não está em condições de brigar.
O quadro não é tão róseo quanto mostram na
TV", disse ele, enumerando que os 55 milhões de trabalhadores
russos recebem salário médio de 5 mil rublos (US$ 138) e
que a aposentadoria média é de 3.050 rublos (US$ 85). Os partidos da chamada
"oposição liberal", que não inscreveram
candidatos por considerar as eleições injustas, devem entregar
hoje à Comissão Eleitoral manifesto firmado por 5 mil personalidades
e cidadãos comuns recusando-se a "participar desta farsa",
informou a agência France Presse. Um dos sinais de eventual fraude,
segundo a oposição, é a emissão de um número
exagerado de cédulas para votação fora do domicílio
eleitoral. Funcionários públicos, incluindo professores
e médicos, também têm denunciado que seus chefes os
têm advertido abertamente a votar no governo no domingo, assim como
empregados de firmas contratadas pelo governo. Para atrair eleitores,
haverá até a venda de ingressos para concertos para jovens
e de alimentos com descontos em seções eleitorais, segundo
a Associated Press. Lev Gudkov, diretor do instituto independente Levada Center, disse ao Estado, com base na experiência de eleições anteriores, que a fraude deve oscilar entre 5% e 8% dos votos. "Não é nada que possa mudar os resultados", garantiu Gudkov. De acordo com o Levada, 80% dos eleitores votarão em Medvedev, seguido de longe por Zyuganov, com 11%, e pelo ultranacionalista Vladimir Zhirinovsky, com 9%, em números arredondados. O candidato liberal Andrei Bogdanov tem menos de 1%. A pesquisa indica comparecimento de 80%, mas Gudkov acredita que ele seja menor, na casa de 70%. A intenção
de voto em Medvedev, escolhido por Putin para ser seu sucessor, aproxima-se
da popularidade do presidente, também de cerca de 80%. Eleito em
2000 e reeleito em 2004, Putin não pode mais candidatar-se a presidente,
e anunciou que Medvedev, seu ex-chefe de gabinete, de 42 anos, vai indicá-lo
primeiro-ministro, de maneira que ele continuará governando o país. A maioria dos russos
credita a Putin os altos índices de crescimento econômico,
que em 2007 atingiu 8%; a queda do desemprego, que está em 6%,
e a estabilização do país, depois do caos vivido
com o fim da União Soviética, em 1990. Os eleitores também
acham que Putin restabeleceu o orgulho ferido da Rússia no cenário
internacional, com uma política externa agressiva diante dos Estados
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