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Medvedev volta
a criticar os EUA |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Quinta-feira,
28 de fevereiro de 2008
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MOSCOU As Forças Armadas
russas anunciaram ontem que vão colocar este ano em operação
11 novos mísseis intercontinentais do tipo Topol-M, com alcance
de cerca de 11 mil quilômetros. Os mísseis, segundo os militares
russos, são imunes a qualquer barreira antimísseis "atual
e futura" dos Estados Unidos. A fabricação dos mísseis
está vinculada a um incremento de 20% no orçamento de defesa
deste ano, que saltará para US$ 40 bilhões. O governo do presidente
Vladimir Putin tem tido crescentes atritos com os Estados Unidos, e um
dos pontos nevrálgicos é o plano americano de instalar sistemas
antimísseis em países do Leste Europeu, oficialmente para
conter ataques de inimigos declarados, como o Irã. Internamente,
Putin tem trabalhado para recuperar o orgulho nacional russo, profundamente
ferido depois do desmembramento da União Soviética, em 1990,
quando o país sofreu um brusco encolhimento no território
e no status de superpotência. As pesquisas de opinião
e as conversas com os russos nas ruas sugerem que esse é um dos
motivos-chave da alta popularidade de Putin (entre 70% e 80%), ao lado
da estabilidade e da prosperidade econômica. No início do
mês, a Marinha e a Força Aérea russa realizaram o
seu primeiro exercício de grande escala no Oceano Atlântico
e no Mar Mediterrâneo em 15 anos. Depois da operação,
Putin festejou o fato de que as Forças Armadas russas se tornaram
mais móveis e prontas para o combate: "Trata-se de um programa
de desenvolvimento militar até 2020, levando em consideração
os desafios modernos e as ameaças aos interesses nacionais russos." Putin, de 55 anos,
faz planos de longo prazo. Seu segundo mandato se encerra agora, mas ele
apontou um sucessor, o vice-primeiro-ministro Dmitri Medvedev, de 42 anos,
que segundo as pesquisas se elegerá facilmente no domingo. Putin
anunciou que será indicado primeiro-ministro por Medvedev, que
já foi seu chefe de gabinete. Seguindo a linha do
ex-chefe, Medvedev voltou a criticar ontem a política externa americana.
"A estabilidade e a segurança de toda a região estão
sendo ameaçadas", disse Medvedev, referindo-se ao apoio dos
EUA à proclamação da independência de Kosovo,
de maioria albanesa, em relação à Sérvia.
"É só acender um fósforo e tudo vai pegar fogo." As faixas de propaganda
de Medvedev espalhadas por Moscou sugerem abertamente: "Vote no presidente.
Escolha uma Rússia forte e estável." A maioria dos
eleitores diz que vai votar "em Putin", referindo-se a Medvedev.
Para não deixar dúvidas, o candidato disse ontem que se
sente "obrigado a continuar o curso que provou ser eficiente nos
últimos oito anos: o do presidente Putin". A promessa foi
mostrada repetidas vezes pela televisão estatal. Pesquisa de intenção
de voto realizada entre os dias 8 e 13 pelo instituto independente Levada
Center indica que 80% dos eleitores votarão em Medvedev, seguido
de longe pelo candidato comunista Gennady Zyuganov, com 11%, e pelo ultranacionalista
Vladimir Zhirinovsky, com 9%. Candidatos da oposição
acusam a Comissão Eleitoral e a mídia, amplamente controlada
pelo governo, de não terem permitido uma disputa justa. O ex-campeão
mundial de xadrez Garry Kasparov, que desistiu de se candidatar a presidente,
anuncia para segunda-feira, dia seguinte ao da votação,
manifestações de protesto para "impugnar nas ruas"
a eleição de Medvedev. "Embora pareça
que o Kremlin ganharia mesmo numa eleição livre, ele não
a permitiu", denunciou ontem à agência Reuters o suíço
Andreas Gross, chefe da única equipe de observadores ocidentais
nessa eleição, a da Assembléia Parlamentar do Conselho
da Europa. "Por que um regime que tem garantida sua permanência
no poder não permite a livre competição?" Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |