| Veículo grande deve ficar fora da cidade | |
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LOURIVAL SANTANNA |
Quinta-feira,
7 de abril de 2005
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O plano de entregas noturnas para caminhões, anunciado ontem, vinha sendo discutido nas últimas semanas entre a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e o Setcesp, o sindicato das transportadoras. O Setcesp propôs que o horário fosse adotado por postos de gasolina, home centers, shopping centers e grandes magazines. Na opinião de Urubatan Helou, presidente do sindicato, o comércio pequeno não tem estrutura para bancar dois turnos. O Setcesp quer também
que veículos leves de carga (VLCs), que transportam até
4.500 quilos, sejam liberados nas áreas de restrição.
Hoje só têm acesso livre nessas áreas os veículos
urbanos de carga (VUCs), com capacidade para 1.500 quilos, e apenas 1
metro menores que os VLCs. "Eles estão vendo isso com muito
bons olhos", diz Helou. O Setcesp gostaria
também que caminhões com até 6 toneladas fossem liberados
do rodízio, mas o assunto ainda não entrou em pauta. Entre
os especialistas, além das entregas noturnas, parece consenso que
caminhões grandes devem descarregar fora da cidade, em centros
de distribuição. O tema também não foi discutido
ainda. O consultor de engenharia
urbana Luiz Célio Bottura acha que o poder público deveria
estimular a construção e obrigar ao uso desses centros de
distribuição em torno da cidade. Em troca, ele sugere incentivos
tributários, financeiros e urbanísticos - na forma de permissões
de outras construções em áreas com restrições,
nas chamadas operações urbanas. Os caminhões seriam
então proibidos de "retalhar carga" dentro da cidade. Hoje em dia, há
restrições sobre horários e áreas para circulação
de caminhões em São Paulo. Transportadoras que precisam
usar seus veículos nesses horários e locais - como as empresas
de mudança e as que carregam alimentos perecíveis, por exemplo
- requerem o cartão-caminhão, que equivale a um salvo-conduto.
Os caminhões que vêm de fora também estão,
em tese, sujeitos a essas restrições, mas as eventuais multas
não chegam às cidades de origem. Para o presidente
do Setcesp, o rodízio tem estimulado o uso de caminhões
com placas de fora em São Paulo e, com ele, a violação
das normas de trânsito. "Além de não estarem
sujeitos ao rodízio, eles param em fila dupla", exemplifica
Helou. "A lei do rodízio está incentivando a contravenção
urbana." Para poderem circular todos os dias, diz o representante
das transportadoras, aquelas que não usam caminhões de fora
trocam um caminhão por dois mais velhos, que poluem e enguiçam
mais e causam mais acidentes. Bottura lembra que,
quando foi presidente da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa),
durante o governo Franco Montoro (1984-87), ele detinha os caminhões
que cometiam infrações na estrada e só os liberava
depois que pagassem multa. Se o problema é pátio lotado,
diz o consultor, não é necessário recolher o veículo.
"Há maneiras de fazer. O que tem que ter é vontade
política." Nos anos 90, durante
as administrações de Paulo Maluf e Celso Pitta, a CET negociou
com os empresários da cidade um programa de entrega programada
noturna. "Eles nos recebiam muito bem e uma série de entidades
apoiou", recorda Sérgio Costa, na época gerente de
Planejamento da CET. Segundo ele, a ex-prefeita Marta Suplicy "cortou
as asas desse time" da área de carga e descarga. "Eu
adoraria ser chamado pela atual prefeitura para conversar sobre aquele
programa", acrescenta Costa, hoje vice-diretor de Transportes do
Instituto de Engenharia. Costa lembra que era
capaz de provar para os empresários que, mesmo tendo de pagar hora
extra, a entrega noturna gerava economia. Mas reconhece que a discussão
esbarrou nas leis trabalhistas, que determinam que a jornada de trabalho
deve ir 7h às 17h, com no máximo duas horas extras. Para
o especialista em emprego José Pastore, no entanto, a lei não
deveria ser problema. "Há muitos autônomos nesse setor,
que não têm empregador único nem habitualidade",
observa Pastore. "Eles não têm de se enquadrar na CLT." Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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