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Solução
é juntar casas e comércio |
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LOURIVAL SANTANNA |
Domingo,
17 de janeiro de 2010
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Existe uma solução
para o colapso da circulação em São Paulo e noutras
grandes cidades: a mistura de usos residencial e comercial. O Plano Diretor
Estratégico do Município de São Paulo, aprovado em
2002, prevê estímulos ao aumento de moradias nas áreas
centrais, e de comércio, serviços e até mesmo indústrias
nas áreas periféricas. E dá à Prefeitura os
instrumentos, como incentivos fiscais e concessões de direito de
construir acima das normas, chamadas de operações urbanas.
Alguns urbanistas ainda consideram tímida a aplicação
desses instrumentos em São Paulo. O Plano criou as Zonas
Especiais de Interesse Social (Zeis), nas quais a Prefeitura pode estipular
a porcentagem de unidades habitacionais para baixa renda e de padrão
mais alto, combinadas com a presença de comércio e serviços.
De acordo com o urbanista Nabil Bonduki, superintendente de Habitação
Popular na gestão Luiza Erundina (1989-92) e depois, como vereador,
relator dos Planos Diretores Regionais, previram-se 200 Zeis em áreas
vazias ou de cortiços e de galpões, quase 100 delas na área
central da cidade. Elas poderiam reverter a expulsão de cerca de
200 mil moradores da região central entre 1980 e 2000. Outras 700
Zeis abrangeriam bairros periféricos, loteamentos clandestinos
e reurbanização de favelas. Cortiços e
favelas são aplicação espontânea e precária
do conceito de morar perto do trabalho. Quando possível, é
melhor tornar esses lugares habitáveis do que expulsar seus moradores
para longe de seus empregos e de outras necessidades cotidianas. Essa
era a intenção do Projeto Cingapura, criado na administração
do prefeito Paulo Maluf (1993-96), que construiu edifícios no lugar
das favelas para seus moradores. Na gestão de Maluf foram 20 mil
unidades habitacionais, na seguinte, de Celso Pitta, 5 mil, e na de Marta
Suplicy, outras 5 mil (já com o nome Prover). Muitas delas "favelizaram-se",
no entanto, pela degradação e controle do tráfico.
Lair Krähenbühl,
criador do Cingapura e atual secretário de Habitação
do Estado de São Paulo, diz que o que faltou foi um acompanhamento
posterior do projeto, com ações de assistência social.
Mas ele continua perseguindo a ideia, removendo moradores de cortiços
para edifícios na mesma região, urbanizando favelas e levando
parte de seus moradores para conjuntos habitacionais também próximos.
"É preciso
inserir o homem na cidade, e não levar a cidade para assentamentos",
disse o secretário ao Estado. "O ideal é que
ele volte a pé para casa". Como sempre terá de haver
mobilidade, a Secretaria de Habitação firmou convênios
com a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e com a São
Paulo Transportes S/A (SPTrans), para participar dos estudos sobre novas
estações e linhas de ônibus, e assim criar ou qualificar
moradias ao redor e ao longo delas. "Se não, criam-se favelas
em torno", diz Krähenbühl, para quem a lógica perseguida
pelo urbanismo é a dos "três Ts": teto, trabalho
e transporte. Na contramão
da política de todos os governos de facilitar a casa própria,
o geógrafo Renato Balbim, do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea), considera que esse sonho de consumo agrava o confinamento
nas grandes cidades. Balbim ressalta que, mesmo que um trabalhador tenha
a sorte de comprar sua casa perto do trabalho, ele mudará de emprego
várias vezes ao longo da vida - ou perderá a chance de melhorar
de vida, por causa das dificuldades de deslocamento. Por isso, o pesquisador,
especialista em reestruturação urbana, considera que as
políticas habitacionais deveriam pôr mais ênfase no
aluguel. Segundo ele, isso representaria uma economia para os programas
habitacionais, já que excluiria o custo da especulação
imobiliária contida nos preços dos terrenos e das construções
vendidas. Assim, os recursos atenderiam a mais pessoas. "É
perverso exigir que o pobre separe 30% de sua renda para aquisição
da propriedade", diz Balbim. Em contrapartida,
é possível conciliar a necessidade de gerar emprego com
a de oferecer serviços como saúde, educação,
cultura e lazer mais perto de casa, considera o economista Ladislau Dowbor,
professor da PUC-SP, especialista em descentralização. Segundo
ele, a saúde é o setor que gera mais riqueza nos EUA, representando
16% do PIB. Já no Brasil, a educação reúne
60 milhões de pessoas - entre alunos, professores e funcionários
-, ou um terço da população. Esses dois serviços
são eminentemente locais, argumenta Dowbor, assim como obras de
infraestrutura e de habitação, acesso à internet,
cultura e lazer - todos intensivos em mão de obra. Assim, o especialista
defende a destinação prioritária dos recursos públicos
para esses serviços, para evitar que a população
tenha de se deslocar para encontrá-los e ao mesmo tempo para que
ela tenha mais opções de emprego perto de casa. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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