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Prefeitura
aposta em áreas mistas |
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LOURIVAL SANTANNA |
Domingo,
17 de janeiro de 2010
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O prefeito Gilberto
Kassab garante que tem lançado mão dos instrumentos previstos
no Plano Diretor para realizar operações urbanas que intensifiquem
o uso misto de bairros de São Paulo. "Numa cidade de 11 milhões
de habitantes, tem de haver investimentos de moradia perto do emprego
e, se necessário, até incentivos públicos para empreendimentos
perto da moradia", disse o prefeito ao Estado. "Na medida em
que você aproxima a moradia do emprego, diminui a necessidade de
contínuo investimento em infraestrutura, principalmente em transporte
público, para levar e trazer as pessoas", constata Kassab.
"Temos de privilegiar as moradias ao longo do transporte público,
principalmente do metrô. A criação de bolsões
(residenciais) não está de acordo com nossa visão
de cidade justa e ideal. É privilégio para poucos em detrimento
do trânsito e do transporte". Ele diz que a Secretaria
de Desenvolvimento Urbano foi criada exatamente para racionalizar o uso
do espaço de São Paulo. "Há 40 anos, os prefeitos
não pensaram que a cidade precisaria de parques e não desapropriaram
áreas para isso", critica. "Não fizeram investimentos
ou criaram áreas de incentivos para levar indústria, comércio,
emprego a regiões aonde estavam sendo levadas milhares de moradias". Kassab afirma que
sua administração está buscando "um ponto de
equilíbrio", atendendo, com transporte, às pessoas
que moram em um lugar e trabalham noutro, mas também criando "incentivos
para investimentos da iniciativa privada que gerem empregos em regiões
de alta densidade de moradia". Para orientar os investimentos, a
Prefeitura promove operações urbanas, nas quais autoriza
construções acima do permitido, exigindo como contrapartida
a compra, pelo empreendedor, de Certificados de Potencial Adicional de
Construção (Cepacs), títulos emitidos pelo município. A operação
urbana mais avançada é a Água Espraiada, executada
ao longo da Avenida Roberto Marinho, no sudoeste da cidade. Com recursos
dos Cepacs, o prefeito planeja investir R$ 750 milhões em transporte
de massa, R$ 590 milhões no sistema viário, R$ 240 milhões
em moradia para milhares de famílias de baixa renda que vivem em
condições inadequadas na região e R$ 30 milhões
em áreas verdes e drenagem. Os investimentos no
sistema viário incluem o prolongamento da Roberto Marinho, um túnel
até as Rodovias Anchieta e Imigrantes e uma "avenida-parque"
sobre esse túnel, para o trânsito local, que não chegará
até as duas estradas, mas servirá de reurbanização
e qualificação, no bairro do Jabaquara. A Operação
Água Espraiada "está mudando o paradigma de operações
urbanas", diz Kassab, e seu modelo será replicado noutras
áreas da cidade. Segundo o prefeito,
a prioridade é um plano de revitalização da zona
leste, baseado numa lei de incentivo específica para a região,
já aprovada. Seu eixo principal é a conclusão do
Complexo Jacu-Pêssego, que cruza o bairro de Itaquera e interligará
o Trecho Sul do Rodoanel à Marginal Tietê e às Rodovias
Dutra e Ayrton Senna. "Com a intensificação
da circulação de carga por ou para São Paulo pelo
Rodoanel e Jacu-Pêssego, e mais as áreas de incentivos fiscais
(ISS e IPTU) e operações urbanas, vamos ter a oportunidade
de gerar investimentos lá que enraízem as pessoas com atividades
econômicas locais: armazenamento, indústria, serviços
e comércio", espera Kassab. Segundo ele, há
várias ideias no sentido de "direcionar o crescimento da cidade
pelos eixos da orla ferroviária". Os projetos das Diagonais
Norte e Sul estão entre elas. O primeiro vai do centro, Água
Branca e Lapa para Vila Leopoldina, Pirituba e Perus, entre outros bairros.
O segundo liga o centro, o Ipiranga, o Brás e a Mooca ao ABC. A
partir daí, encontra-se com o pólo de Desenvolvimento Sul,
região industrial próxima à Represa de Guarapiranga
e ao bairro Interlagos. São áreas por onde passam as linhas
férreas da CPTM, com galpões, indústrias e muito
potencial de ocupação. Na zona norte, o prefeito
planeja criar o Centro de Convenções de Pirituba, uma área
de 5 milhões m², que, além dos pavilhões para
feiras e espaços para congressos, deverá ter a seu redor
hotéis, centros comerciais e de entretenimento, incluindo uma arena
multiuso. "É uma área muito bem localizada, a 30 minutos
de Campinas, na esquina do Rodoanel com a Rodovia dos Bandeirantes",
ressalta Kassab. A Nova Luz, como é
chamado o projeto de revitalização da cracolândia,
será a "vitrine" para outras áreas do centro da
cidade. A ideia é alargar as calçadas, reduzir o tráfego
de automóveis e incentivar a ocupação também
à noite, com bares, restaurantes e prédios residenciais,
misturando as classes média e baixa. O objetivo é atingir
uma densidade de 350 habitantes por hectare. Hoje, é dois terços
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