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Imigrantes brasileiros não conseguem legalizar-se |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Quarta-feira,
22 de dezembro de 2004
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PARAMARIBO Antonio está
duplamente ilegal. Ele explora o garimpo em Goianol, na Guiana Francesa.
Vai de carro até a fronteira, uma viagem de duas horas e meia,
e entra no departamento ultramarino francês clandestinamente, para
mais um dia e meio de viagem até o garimpo de ouro. Vale a pena?
Os bons tempos se foram, o ouro está minguando, mas mesmo assim
ele acha que sim. "Aqui a gente trabalha mais tranqüilo",
compara o pernambucano de Araripina. "Não proíbem as
áreas que a gente explora. Aqui tem muito assalto, mas é
menos do que no Brasil." O maranhense José Galvão Silveira, 38 anos, também se queixa da escassez de ouro. Seu garimpo fica na Água Azul, a quase 200 quilômetros de Paramaribo, ou três horas de carro. Ali por volta de 1997, ele chegou a tirar 450 gramas de um barranco, que leva cerca de 45 dias para explorar. Na época, essa quantidade era vendida por mais de US$ 3 mil. Hoje, o grama de ouro
é comprado, dependendo da pureza, por US$ 12,60 a US$ 13,20 nos
escritórios de Paramaribo - os maiores são o chinês
Suntex e a brasileira Ouro Minas. Donos de máquinas de extração,
como Antonio e José Galvão, dao 10% do que extraem para
os "pretos", como eles chamam os nativos donos das terras, e
30% para os empregados - seis, no caso de José Galvão. "No
Brasil também tem ouro, mas lá não se pode trabalhar.
Aqui, a gente trabalha", diz ele. O garimpo emprega mercúrio,
poluindo os rios. Há dez anos
no Suriname, Galvão acha muito importante um acordo de imigração.
"A gente sem papel não tem direito algum", diz Galvão,
que está legal, não consegue regularizar a situação
de um de seus filhos. "Não sei o que a embaixada do Brasil
está fazendo aqui." Na verdade, não depende dela. Até aqui, muitos
brasileiros têm tido de pagar propinas que chegam a US$ 200 para
funcionários carimbarem vistos de seis meses. "Aqui é
tudo máfia", queixa-se um brasileiro. Lourival SantAnna viajou a convite do Ministério de Relações Exteriores Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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