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"Afaste-se dos integristas", sugere agente |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
11/10/1992
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TÚNIS A Organização de Libertação da Palestina, com sede em Túnis, recebe todo o apoio e infra-estrutura do governo tunisiano. Funcionários tunisianos da OLP contam que a organização é uma boa empregadora, com salários um pouco acima da média. Mas trabalham de segunda a segunda. "Se o integrismo tomasse o poder, é quase certo que teriamos de deixar a Tunísia", diz um alto funcionário palestino. "Muitos fundamentalistas acham que a OLP não é uma representante legítima dos interesses árabes, porque não é exclusivamente muçulmana, e é muito menos dogmática." Há muitos cristãos entre os dirigentes palestinos, como sua principal porta-voz, Hanan Ashrawi. Entre os funcionários da OLP, é comum conviver durante anos sem saber a religião do outro. "Para esses fundamentalistas, que confundem etnia árabe com religião muçulmana a OLP não é apropriada para lutar pela libertação dos lugares santos (de Jerusalém)", constata o funcionário em Túnis. Com visões tão diversas, os tunisianos entrevistados pelo Estado são unânimes numa coisa: não é bom falar de política na Tunísia. O Ministério do Interior, responsável pela "ordem" interna, é mais poderoso e bem-equipado que o da Defesa. Tem inclusive Brucutus e Cascavéis, blindados fabricados pela companhia brasileira Engesa. A vigilância interna é ostensiva, com soldados de baionetas caladas e metralhadoras nas ruas, principalmente perto dos prédios públicos - e da emissora de TV estatal, alvo preferencial de terroristas e golpistas. É comum carros serem parados para inspeção, e caminhões de transporte de tropas passarem pelas barulhentas ruas da capital, onde os motoristas buzinam feroz e ininterruptamente, quase que por diversão. 0 resultado é que não há assaltos, nem drogas, nem mercado negro. "Qualquer pessoa desconhecida ou suspeita é interrogada", diz um agente do Ministério do Interior, enquanto olha para todos os lados numa noite de sexta-feira no centro da cidade. "Afaste-se dos integristas, eles são terroristas muito perigosos, e querem voltar ao passado." Mas o agente não vê chances para eles na Tunísia: "Este não é como os outros países Árabes, nós temos padrão cultural melhor, somos mais educados." A maioria dos tunisianos estuda em escolas mistas, de língua árabe e francesa. Quando um tunisiano, fala em árabe, é comum ouvir expressões como "bien sûr" ou "tout de suite". Somente no interior se fala árabe puro. Extravagância - As antenas parabólicas, freqüentes em Túnis, captam as emissoras francesas, italianas e alemãs, e com elas os mais extravagantes hábitos ocidentais. Erotismo e sexo explícito, principalmente nos shows e filmes noturnos, são rotina. Os dois canais locais, obviamente recatados e transmitidos em árabe, são do Estado, como todas as emissoras de rádio. Um terceiro canal entrará no ar em novembro. Também estatal, a TV 7 transmitirá via satélite para outros países, visando os tunisianos que moram e trabalham no exterior, uma das principais fontes de renda do país, ao lado de fosfato, indústria têxtil e turismo. A televisão é paga na conta de luz. Há três diários de língua francesa e quatro árabes. A principal empresa de comunicação, que edita La Presse e As-Sahafa, em Árabe, é semi-estatal. O redator-chefe Labassi garante que não há censura. Seu jornal, porém, é em explicitamente governista, com frases na primeira página,como "as prefeituras não param de receber apoio do presidente Ben Ali, que busca assegurar condições de vida decentes para os cidadãos tunisianos". Mas o jornal Le Temps, considerado independente, não difere muito. Ao lado de notícias de futebol e do exterior, e possível divisar uma só frase na primeira página anunciando "as propostas da oposição". Na notícia interna, o que se lê é uma lista de sugestões, sem nenhuma crítica. "A imprensa tunisiana até pode criticar o governo, mas com muita calma, sem ofender", ironiza um membro da OLP. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |