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Premiê
turco recebe hoje Bento XVI |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Terça-feira,
28 de novembro de 2006
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ANCARA Numa decisão
de última hora, o gabinete do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan
anunciou ontem que o chefe de governo turco se reunirá rapidamente
com o papa Bento XVI no aeroporto de Ancara. O papa estará chegando
para uma visita de quatro dias e o primeiro-ministro, partindo para a
reunião de cúpula da Organização do Tratado
do Atlântico Norte, em Riga (Letônia). Até ontem,
o governo dizia que Erdogan não poderia se encontrar com o papa
por causa da cúpula. Em entrevista publicada ontem pelo Estado,
o deputado Mehmet Dulger, presidente da Comissão de Relações
Exteriores do Parlamento e um dos líderes do Partido da Justiça
e do Desenvolvimento (AKP), de Erdogan, informou que o primeiro-ministro
lhe havia prometido tentar algo. O suspense e a decisão
de última hora dão uma medida do grau de sensibilidade que
a visita do papa a primeira que ele faz a um país muçulmano
- adquiriu para a Turquia. Bento XVI já não era muito querido
no país por ter-se oposto a sua entrada na União Européia,
em 2004, quando ainda era prefeito da Congregação para a
Doutrina da Fé. Sua popularidade diminuiu,
em setembro, depois da citação que fez na Universidade de
Regensburg (Alemanha), de uma frase do imperador bizantino Manuel II Paleólogo,
associando Maomé à maldade, à injustiça e
à violência. A declaração gerou protestos violentos
em todo o mundo muçulmano. O papa lamentou e se disse mal-interpretado,
mas não pediu desculpas. Há uma grande expectativa quanto
ao que ele dirá a respeito na Turquia. Mais de 20 mil islâmicos
nacionalistas protestaram no domingo em Istambul contra a visita. O propósito
original da vinda de Bento XVI, no entanto, não é propriamente
visitar a Turquia, um país secular com 99,8% de muçulmanos,
nem reunir-se com suas autoridades. O papa vem a convite do patriarca
ortodoxo Bartolomeu I, reconhecido pelo Vaticano como primeiro entre
iguais de todas as correntes ortodoxas. A visita coincide
com as festividades de Santo André, apóstolo e mártir
que, segundo a tradição ortodoxa, ordenou o primeiro bispo
de Constantinopla, que até 1453 foi a sede do Império Romano
do Oriente, quando os muçulmanos derrotaram os cristãos,
rebatizando a cidade de Istambul. Foi o governo turco que teve a iniciativa
de dar um caráter de Estado à visita, com o intuito de neutralizar
a deferência do papa a Bartolomeu, segundo analistas ouvidos pelo
Estado. O papa desembarca
hoje às 13 horas em Ancara, a capital da Turquia, e vai direto
para o mausoléu de Mustafa Kemal Ataturk - o fundador da Turquia
moderna, em 1923 -, depositar flores em sua homenagem. Mais tarde, o papa
será recebido pelo presidente turco, Ahmet Necdet Sezer, e pelo
vice-primeiro-ministro Mehmet Ali Sahin. Mas o encontro mais
sensível será com o diretor-geral de Assuntos Religiosos,
Ali Bardakoglu. Uma respeitada autoridade em Islã, Bardakoglu reagiu
furiosamente à declaração de setembro do papa, chegando
a sugerir que ele fosse preso ao chegar à Turquia. Desde então,
Bardakoglu baixou o tom. Amanhã de manhã,
o papa viaja para Éfeso, a antiga cidade grega onde, segundo a
tradição cristã, viveu a Virgem Maria e pregaram
os apóstolos Paulo e João. Depois de celebrar uma missa
em Éfeso, o papa seguirá em seu avião para Istambul,
onde fica até sexta-feira. Lá, além de Bartolomeu,
ele se reunirá com os patriarcas ortodoxos armênio e sírio,
e com o grão-rabino da Turquia. A intenção do papa
é estreitar o diálogo entre os católicos e os ortodoxos,
separados pelo Cisma da Igreja, em 1054. Na quinta-feira, Bento
XVI visitará Santa Sofia, antiga igreja bizantina convertida em
mesquita depois da conquista otomana de 1453 e em museu por Ataturk, um
secularista. Na quarta-feira, cerca de cem nacionalistas islâmicos
rezaram no interior do museu o que é proibido por lei
para protestar contra a ida do papa ao lugar. Noutro arranjo de última hora, o Vaticano incluiu no domingo a visita do papa à Mesquita Azul, a maior de Istambul, que fica em frente a Santa Sofia. Será a segunda visita de um papa a uma mesquita na história. Em 2001, João Paulo II tornou-se o primeiro, ao visitar uma mesquita em Damasco. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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