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Papa
lembra padre morto por islâmico |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Quinta-feira,
30 de novembro de 2006
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SELÇUK,
Turquia O papa Bento XVI reviveu
ontem um pouco do espírito dos primeiros dias do cristianismo,
ao visitar uma pequena casa de pedra no alto de um monte onde, segundo
a tradição católica, a Virgem Maria passou seus últimos
anos, protegida pelo apóstolo João Evangelista. Numa cerimônia
extraordinariamente despojada, o papa lembrou o padre assassinado no início
do ano na Turquia, rezou pela reduzida minoria cristã no país
e pediu a união das diversas correntes do cristianismo. Eu quis transmitir
meu amor pessoal e minha proximidade espiritual, junto com a da igreja
universal, pela comunidade cristã aqui na Turquia, uma pequena
minoria que enfrenta muitos desafios e dificuldades diariamente,
disse Bento XVI, diante de cerca de 500 católicos turcos
na verdade, uma minoria dentro da minoria. Dos 72 milhões de turcos,
cerca de 90 mil são cristãos e desses, 20 mil são
católicos romanos. Vamos cantar
alegremente, apesar das dificuldades e perigos, como nos ensinou o belo
testemunho dado pelo padre Andrea Santoro, que eu tenho o prazer de recordar
nesta celebração, continuou o papa, referindo-se ao
sacerdote morto a tiros por um jovem turco, quando estava ajoelhado rezando
em sua igreja, no porto de Trabzon, no Mar Negro, aparentemente em represália
contra a publicação de caricaturas do profeta Maomé
por um jornal dinamarquês. Vigiados por um forte
esquema de segurança, que incluiu um helicóptero da polícia
sobrevoando o Monte Pion durante as cinco horas e meia em que Bento XVI
permaneceu no local, os fiéis agitavam bandeiras do Vaticano e
da Turquia e palmas, gritando: Viva o papa. O céu azul
e a temperatura de 15 graus, considerada amena para essa época
do ano, foi considerada uma bênção por
muitos dos presentes. Desta margem
da península da Anatólia, ponte natural entre os continentes,
invocamos a paz e a reconciliação, antes de tudo para os
que vivem na terra que chamamos de santa e como tal é considerada
pelos cristãos, judeus e muçulmanos, disse o papa,
referindo-se ao conflito árabe-israelense. Necessitamos desta
paz universal, acrescentou, durante a missa campal sua primeira
num país muçulmano - que rezou em frente ao santuário
de pedra. Devoto de Maria, o
papa lembrou que ela também é amada e venerada pelos
muçulmanos (que, no entanto, não aceitam a sua concepção
pelo Espírito Santo, nem o caráter divino de Jesus, para
eles um profeta exclusivamente humano, como Abraão e Maomé).
Na terça-feira, em Ancara, o papa se reuniu com autoridades políticas
e religiosas da Turquia, e ambos os lados pediram a união das religiões.
Uma citação feita por Bento XVI em setembro, associando
o islamismo à violência, gerou protestos no mundo muçulmano,
o último dos quais reuniu mais de 20 mil pessoas em Istambul, no
domingo. O papa estendeu seu apoio até mesmo à entrada da
Turquia na União Européia, contra a qual se declarara em
2004, quando era prefeito da Congregação para a Doutrina
da Fé. Os gestos conciliatórios
não convenceram o ramo da Al-Qaeda no Iraque. A visita do
papa é na verdade para consolidar a campanha dos cruzados contra
as terras do Islã depois do fracasso dos líderes cruzados,
e uma tentativa de extinguir a chama do Islã dentro de nossos irmãos
turcos, diz uma mensagem atribuída ao grupo em um site comumente
usado por ele na internet. O papa quer que a Turquia, outrora um
bastião do Islã, continue secular e caia nas mãos
da União Européia para conter a expansão do Islã.
Estamos confiantes na derrota de Roma em todo o mundo islâmico. O Vaticano reagiu
rapidamente. Esse tipo de mensagem mostra uma vez mais a urgência
e a importância de um compromisso comum de todas as forças
contra a violência, disse o porta-voz da Santa Sé,
Federico Lombardi. Mostra, ainda, a necessidade de as variadas fés
dizerem não à violência em nome de Deus. Bento XVI e os dez
cardeais que o acompanham aterrissaram às 10h30 no aeroporto de
Esmirna, a terceira maior cidade da Turquia, na costa do Mar Egeu, e de
lá percorreram de carro os 100 quilômetros até o Monte
Pion, em cujo pé estão as ruínas da antiga Éfeso
e a cidade moderna de Selçuk. No fim da tarde, ele seguiu para
Istambul, onde foi recebido pelo patriarca Bartolomeu I, líder
ecumênico dos ortodoxos, com quem voltará a se reunir hoje
e amanhã. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |