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'Casa
de Maria' é ponto de discórdia com ortodoxos |
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LOURIVAL
SANTANNA |
Quinta-feira,
30 de novembro de 2006
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SELÇUK,
Turquia A meio caminho do
diálogo com os ortodoxos, o papa Bento XVI, um mariano, parou num
dos tantos pontos de discórdia entre eles e os católicos.
O santuário de pedra sobre o Monte Pion só é reconhecido
como casa de Maria pelo Vaticano. Segundo a tradição ortodoxa,
a mãe de Jesus morreu em Jerusalém, de onde não saiu
depois da crucificação. Como é comum
nas alegações sobre lugares onde ocorreram fatos religiosos,
não há evidência material de que Maria tenha morado
ali. Na era moderna, essa convicção surgiu depois que a
freira alemã Anna Katharina Emmerich relatou, em 1818, visões
em que descrevia minuciosamente a casa, para onde João Evangelista
teria levado a Virgem Maria, e onde ela teria morrido. O relato da freira
foi registrado em um livro. Só em 1891
foi que um grupo de padres organizou expedições na região,
com base no livro, até encontrar a casa abandonada e semidestruída,
que, segundo eles, correspondia precisamente à descrição
da freira. Dentro dela, havia uma estátua de Maria, sem as duas
mãos. O lugar era conhecido dos moradores locais por sua fonte
de água, à qual são atribuídos poderes miraculosos.
O alicerce da casa, segundo análises de carbono, data do primeiro
século da era cristã, embora as paredes sejam dos séculos
6º e 7º, o que sugere uma restauração posterior,
que a tornou uma capela. Para os que acreditam
que a Virgem Maria tenha ido para lá, as evidências maiores
estão na trajetória do apóstolo João, já
que não há registros do que aconteceu com a mãe de
Jesus, depois da crucificação de seu filho. Segundo uma
passagem do Novo Testamento, no caminho da crucificação,
Jesus disse a sua mãe e a João que a partir de então
eles se tornariam mãe e filho. Durante as perseguições
aos cristãos, João, assim como Paulo, partiu para a Anatólia,
cuja cidade mais importante, na época, era Éfeso. Suas ruínas
revelam seu esplendor. Incumbido de cuidar da mãe de Jesus, João
não partiria sem ela, argumentam os partidários da tese. Acredita-se que João
se tenha estabelecido na região, ganhando o título de apóstolo
da Ásia, embora Paulo também tenha pregado lá,
como testemunha a sua Carta aos Efésios. Outro indício seria
o fato de que, até 431, quando se reuniu em Éfeso o 3.º
Conselho Ecumênico, que deu a Maria o título de Mãe
de Deus, a única igreja no mundo dedicada à Virgem
era a construção do século 2.º, ao lado do anfiteatro,
onde se realizou a reunião. Segundo esse argumento, pelas leis
do início do cristianismo, só se podia dedicar uma igreja
a um santo onde ele tivesse vivido, ou fosse conhecido. O interessante é
que Éfeso já era, antes do cristianismo, um local de peregrinação,
por causa de uma outra figura feminina: Artemis, a deusa grega da fertilidade,
a quem está dedicado o principal templo da cidade. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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