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Chávez
acusa oposição de tentar novo golpe |
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LOURIVAL SANTANNA |
Sexta-feira,
2 de dezembro de 2005
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CARACAS Para Chávez,
o boicote foi ordenado pelo presidente dos EUA, George Bush, em represália
por sua atuação na última reunião de cúpula
do hemisfério, há um mês, quando ele encabeçou
a oposição às propostas americanas. "É
o primeiro efeito da Cúpula de Mar del Plata", disse ele,
num evento de pagamento de diferenças retroativas de aposentadorias
e pensões. "Nós, venezuelanos, nos tornamos uma pedra
no sapato dos americanos", observou Chávez, pedindo uma "mobilização
permanente do povo em favor da soberania". "No pasarán",
bradou Chávez, repetindo a frase da Revolução Cubana.
"O imperialismo americano não passará." Atendendo a convocação
do governo, milhares de pessoas participaram ontem em Caracas de uma manifestação
em favor da realização das eleições parlamentares
de domingo. Ostentando camisetas de órgãos da prefeitura
e faixas que indicavam um ato previamente organizado e uma forte presença
de funcionários públicos, os manifestantes caminharam até
a sede do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), no centro da capital. O vice-presidente
José Vicente Rangel, que participou da "marcha", estava
efusivo. "É impressionante, convocamos há poucas horas,
e o povo bolivariano compareceu maciçamente", disse. "Com
isso, sepultamos definitivamente o golpismo", acrescentou ele, referindo-se
ao boicote. Na noite de quarta-feira,
o partido Primeiro Justiça (PJ) aderiu ao boicote das eleições,
tornando-se o terceiro a desistir da disputa, alegando riscos de fraude
na contagem dos votos. "Não podemos solicitar o voto dos eleitores,
se não seremos depois capazes de defendê-lo", justificou
Gerardo Blyde, secretário-geral do PJ, um partido novo, formado
substancialmente por jovens. Para Blyde, a Venezuela está sob um
"terremoto político", que inviabiliza a realização
de eleições. O boicote foi lançado
na terça-feira pela Ação Democrática (AD)
e o Copei, os dois partidos de oposição mais tradicionais,
alegando que o sigilo das urnas eletrônicas, fabricadas pela americana
Smartmatic, pode ser violado. Durante os dois dias de discussões
no PJ, um dos argumentos que mais pesaram em favor do boicote foi o fato
de que os fiscais da AD eram responsáveis pela presença
em 78% das seções eleitorais. Na sua ausência, a oposição
ficará inteiramente desguarnecida. Antes de anunciar
o boicote, os partidos de oposição haviam imposto como condição
para participar das eleições a desativação
de um programa de computador que vincula a votação a um
sistema de reconhecimento do eleitor via impressão digital, argumentando
que ele violava o sigilo. Mesmo discordando do argumento, o CNE concordou
em desativar o programa. A oposição continuou alegando que
o sistema é capaz de armazenar a ordem dos votos, além de
a contagem não ser inviolável. O CNE garantiu que essa ordem
é embaralhada pelo programa, e que o sistema é à
prova de fraudes. Mesmo assim, a oposição optou pelo boicote,
exigindo o adiamento do pleito. Enquanto os manifestantes
pró-eleição se aglomeravam em frente ao CNE, o presidente
do órgão, Jorge Rodríguez, fez um veemente apelo
em favor das eleições e um duro ataque aos oposicionistas.
"Aqueles que têm os meios, insultam, mas e aqueles que não
os têm?", disse Rodríguez, referindo-se ao amplo espaço
dado na imprensa às denúncias da oposição.
"Milhões de venezuelanos querem votar e o CNE tem de defender
esse direito." Afirmando que apenas 78 dos 4.056 candidatos se haviam
retirado oficialmente da disputa, Rodríguez perguntou: "Quem
tem mais direito? Esses 78 ou o resto? Em última instância,
milhões de venezuelanos crêem no voto para superar suas dificuldades."
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