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Governo
tenta censurar TVs e rádios piratas |
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LOURIVAL SANTANNA |
Sexta-feira,
2 de dezembro de 2005
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CARACAS "Há emissoras
que veiculam exclusivamente mensagens contra o governo, tentando desestabilizar
a democracia", denunciou Izarra, em entrevista coletiva na sede da
Vice-Presidência da República, transmitida ao vivo pelas
emissoras estatais. "As mensagens antidemocráticas de concessionárias
de rádio e de TV serão monitoradas, e serão feitas
visitas às emissoras que estão divulgando mensagens contra
o sagrado direito do voto." Izarra e Helena citaram
nominalmente o dono do canal Globovisión, Alberto Federico Ravel,
ferrenho opositor do governo. Acolhida com entusiasmo pelo presidente
Luiz Inácio Lula da Silva e outros governantes de esquerda da região,
a idéia de Hugo Chávez é transformar a Telesur numa
rede sul-americana, destinada a contrabalançar o poder de emissoras
como a CNN. "Estão
buscando um golpe eleitoral através de um golpe midiático,
para turvar o processo eleitoral", acusou Helena. "A grande
maioria da população deseja que se realizem eleições
e rechaça a retirada das candidaturas, promovida pelas cúpulas
partidárias, sob orientação dos Estados Unidos."
Segundo ela, as emissoras "estão omitindo informações
e ferindo a Lei de Resort e a Constituição Bolivariana".
À pergunta sobre o que aconteceria se fosse confirmada a violação
da lei, Helena se limitou a dizer que "cada um deverá assumir
a sua responsabilidade". Denunciada por entidades
como a Sociedade Interamericana de Imprensa e Repórteres Sem Fronteiras
como ameaça à liberdade de imprensa, a Lei de Resort proíbe
a difusão de conteúdos que "promovam, façam
apologia ou incitem à guerra, a alterações da ordem
pública e ao delito". A pena é a suspensão da
emissora por 72 horas; e, em caso de reincidência em um prazo inferior
a cinco anos, a perda da concessão. A lei é aplicada pelo
Diretório de Responsabilidade Social, composto por 11 membros,
dos quais 7 são nomeados pelo Poder Público. Simultaneamente à
coletiva na Vice-Presidência, no fim da manhã de ontem, noutro
ponto da cidade, no Hotel Tamanaco, o vice-ministro da Gestão Comunicacional,
William Castillo, denunciava os principais jornais venezuelanos, que segundo
ele "não têm uma cobertura equilibrada" dos fatos.
Os dois principais jornais, El Universal e El Nacional, deram manchete
ontem à decisão do partido Primeiro Justiça de boicotar
as eleições. O termo "golpe
midiático" foi cunhado em abril de 2002, quando Chávez
foi destituído e substituído pelo líder empresarial
Pedro Carmona. A maioria das emissoras de rádio e TV privadas encampou
a versão de que Chávez teria renunciado, e não cobriu
a reação governista, que devolveu o presidente ao cargo. Num programa de debates
intitulado "O povo não se retira", de apoio às
eleições, transmitido o dia inteiro pela estatal Venezuelana
de Televisão (VTV), o presidente da Assembléia Nacional,
Nicolás Maduro, acusou donos de emissoras de TV privadas de se
terem reunido com "banqueiros" para "sabotar" as eleições,
"não em função de um projeto nacional, mas dos
interesses do império", numa referência aos EUA. A VTV
veicula constantemente mensagens de propaganda de Chávez, incluindo
"clips" de desenho animado com referências a um suposto
complô entre o governo americano e o empresariado venezuelano para
subordinar a Venezuela aos EUA. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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