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Oposição
é acusada de armar atentado |
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LOURIVAL SANTANNA |
Sábado,
3 de dezembro de 2005
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CARACAS "Provavelmente
isso vem das mesmas pessoas que estão tentando sabotar o direito
legítimo dos cidadãos de votar", especulou Villegas.
Quatro dos principais partidos de oposição decidiram nos
últimos dias boicotar as eleições, alegando que o
sistema de votação eletrônica está sujeito
a fraudes. As forças de
segurança, que já estão mobilizadas para a realização
das eleições, anunciaram a detenção de 11
pessoas em Maracaibo, capital do Estado de Zulia, no noroeste do país,
com 62 coquetéis molotov, explosivos proibidos, galões de
gasolina e fitas com emblemas falsos das Forças Armadas. Não
há informação sobre se os detidos pertencem a algum
grupo político. Apesar desses incidentes,
o ministro da Defesa, almirante Orlando Maniglia, assegurou que a situação
no país é de "absoluta calma", e que a ordem estará
garantida para a realização das eleições.
Os 120 mil militares do efetivo e da reserva foram mobilizados, e manterão
a segurança das 9.155 seções eleitorais em todo o
país, de acordo com o ministro. Maniglia desmentiu
rumores de que haveria movimentações golpistas nos quartéis,
fomentados pelo próprio presidente Hugo Chávez, que disse,
na noite de quinta-feira, que tinha informes de inteligência sobre
oposicionistas e empresários dos meios de comunicação
que estavam telefonando para unidades militares e incitando oficiais a
promover um golpe de Estado. Maniglia confirmou os telefonemas, mas descartou
a possibilidade de golpe: "Não tem nada a ver." O deputado William Lara, diretor de Organização do Movimento Quinta República (MVR), do governo, acusou o grupo Súmate de estar se preparando para sabotar a votação. Segundo Lara, o Súmate, um movimento pró-cidadania apartidário, estaria convocando seus ativistas para invadir os locais de apuração de votos e roubar os comprovantes de votação, fazendo com que a contagem manual não coincida com a eletrônica. As urnas eletrônicas
importadas dos Estados Unidos imprimem comprovantes, 45% dos quais o CNE
contará manualmente, gerando uma amostra para comparar com o resultado
das urnas eletrônicas. O Súmate convocou
os cidadãos a comparecer a igrejas e templos - já que as
aglomerações estarão proibidas noutros locais - por
volta do meio-dia de domingo, para protestar contra a suposta fraude nas
eleições. Em termos numéricos,
a saída dos principais partidos de oposição é
pouco expressiva. O presidente do CNE, Jorge Rodríguez, informou
ontem que 322 candidatos desistiram formalmente de participar das eleições,
de um total de 5.513. Segundo as pesquisas, a oposição tinha
chances de eleger no máximo 17 deputados, de um total de 167. A oposição
afirma que as máquinas americanas, fabricadas pela Smartmatic,
guardam na memória a ordem de votação, possibilitando
a violação do sigilo. Além disso, segundo os oposicionistas,
seria possível fraudar os resultados. O CNE nega categoricamente.
De acordo com o órgão, o sistema é inviolável,
a ordem dos votos é embaralhada na sua memória, e é
possível, em caso de dúvidas, auditar 100% da contagem,
graças aos comprovantes impressos de votação. Os observadores internacionais
da Organização dos Estados Americanos e da União
Européia têm manifestado confiança no sistema venezuelano.
"Creio que os esforços feitos na Venezuela superam o que tem
sido feito noutros países", disse ontem o observador espanhol
Asier Martínez. "As garantias são mais que suficientes."
Para o uruguaio Wilfredo
Penco, não cabe aos observadores internacionais entrar na polêmica
sobre se a oposição deve ou não boicotar as eleições.
"Mas, do ponto de vista institucional, apoiamos totalmente o processo
eleitoral venezuelano, temos plena confiança nos procedimentos."
Penco lamentou que os oposicionistas e representantes de meios de comunicação
privados não tenham aceitado o convite para participar de uma reunião
para discutir o processo eleitoral. Já o observador equatoriano Nicanor Moscoso atestou que "não havia nenhuma possibilidade de comunicação" entre o mecanismo de reconhecimento das digitais do eleitor e a máquina de votação. Essa foi uma das alegações da oposição. O CNE atendeu à exigência de eliminar a ligação entre o leitor das digitais e as máquinas, e mesmo assim a oposição se retirou das eleições. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |