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Eleições
na Venezuela têm abstenção de 75% |
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LOURIVAL SANTANNA |
Segunda-feira,
5 de dezembro de 2005
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CARACAS O presidente Hugo
Chávez fracassou em levar os venezuelanos às urnas ontem.
Apenas 25% dos eleitores compareceram às eleições
para a nova Assembléia Nacional, segundo projeção
divulgada às 20h50 de ontem em Caracas (22h50 em Brasília).
Embora o governo tenha obtido controle absoluto sobre o Parlamento unicameral,
o alto índice de abstenção, de 75%, representa uma
vitória para a oposição, que boicotou a eleição,
alegando riscos de fraudes. Dos 2,97 milhões
de votos, 2,50 milhões (84%) foram para a aliança liderada
pelo Movimento Quinta República, o partido de Chávez. A
Venezuela tem 11,956 milhões de eleitores inscritos. Quatro
dos cinco principais partidos da oposição se retiraram da
disputa, na semana passada. A lei não estabelece um comparecimento
mínimo, mas a votação ganhou um aspecto plebiscitário,
de aprovação ou não ao governo Chávez. "Temos ouvido
porta-vozes dizendo que essas eleições são normais",
disse Maria Corina Machado, da organização não-governamental
Súmate. "Não concordamos. O normal, em eleições,
é que o povo vote." Para ela, "o povo, com sua conduta,
exigiu a renúncia do CNE". O ministro da Educação,
Aristóbulo Isturiz, respondeu imediatamente, afirmando que quem
nomeia o CNE é a Assembléia Nacional, que a oposição,
por sua vez, não reconhecerá. "Por isso dizemos que
essa estratégia da oposição foi ditada de fora",
concluiu ele. A ONG, que fez campanha pela abstenção, recebe
recursos do Fundo Internacional para a Democracia (NED), dos EUA. O dia transcorreu
calmo, à exceção da informação, divulgada
pelo governo, de duas explosões, em um oleoduto e em um gasoduto,
no Estado de Zulia, noroeste do país, ocorridas na noite de sábado.
Uma chuva fina começou a cair por volta das 9h em Caracas, e continuou
por todo o dia, diminuindo o ânimo dos eleitores. Já em seis
Estados do país, as chuvas foram fortes, atrasando o início
da votação, previsto para as 6h. Cada seção
eleitoral se manteve aberta por um total de dez horas, ou enquanto houvesse
filas. O governo se empenhou
em estimular a participação dos eleitores, colocando à
sua disposição transporte gratuito. No bairro popular 23
de Enero, reduto de chavistas, 15 lotações circulavam gratuitamente,
levando e trazendo eleitores, de acordo com Mauricio Urbina, do Coletivo
La Libertad, grupo de mobilização popular sustentado pelo
governo e controlado pelo MVR. Os partidos tradicionais
oposicionistas Ação Democrática e Copei, assim como
os mais novos Primeiro Justiça e Projeto Venezuela, anunciaram
sua saída da disputa na semana passada, alegando que as urnas eletrônicas
importadas dos Estados Unidos não garantem o sigilo do voto. As
máquinas, fabricadas pela companhia Smartmatic, armazenam a ordem
dos votos, o que, segundo os oposicionistas, permitiria identificar as
opções dos eleitores. Denunciando o risco
de fraude, a oposição exigiu que todos os votos fossem contatos
manualmente, já que as máquinas imprimem um comprovante.
O CNE não aceitou, garantindo apenas uma auditoria em 45% das urnas
- que consiste em comparar a contagem dos comprovantes impressos com a
ata eletrônica. Ao votar no bairro
23 de Enero, Chávez festejou a "hora da morte" dos oposicionistas
que promoveram o boicote. Segundo ele, a Venezuela tem "o processo
eleitoral mais cristalino, flexível e seguro da América
do Sul", e a versão de que há uma crise política
no país foi criada pelos "lacaios do imperialismo", já
que apenas 10,8% dos mais de 5 mil candidatos às 167 cadeiras da
Assembléia Nacional renunciaram. O presidente, no entanto, disse
esperar que seja possível "recompor a oposição".
O vice-presidente José Vicente Rangel foi mais longe, conclamando
a negociações com os oposicionistas já a partir de
hoje. |