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Condição
social indica quem está contra ou a favor de Chávez |
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LOURIVAL SANTANNA |
Segunda-feira,
5 de dezembro de 2005
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CARACAS Em Caracas, os pobres
moram em bairros e em morros; os ricos, em urbanizações
e em colinas. As diferenças semânticas dizem muito sobre
os desníveis sociais. Isso não é novo. O que é
novo é a polarização política, que acompanha
fielmente as diferenças sociais. Uma rápida excursão
pelos dois lados de Caracas, em dia de eleição, mostra a
que ponto chegou essa polarização. O bairro 23 de Enero,
uma mescla de favelas e conjuntos habitacionais na forma de gigantescos
blocos de edifícios construídos pelo governo do general
Marco Pérez Jimenez (1953-58), é uma das áreas mais
pobres de Caracas. Aqui o chavismo é tão homogêneo
quanto a pobreza. "Votamos pela revolução", resume
Estángel Cárcere, 39 anos, camareiro de um hospital público.
À pergunta sobre se seguirá votando indefinidamente por
Chávez, que pode vir a eliminar as restrições legais
à reeleição, Cárcere responde, sob a aprovação
de um casal de amigos: "Estamos com Chávez até a morte.
Se pudermos, vamos cloná-lo." "A oposição
tentou fazer uma chantagem, são fantasmas, não têm
votos", diz Danexa Terán, de 28 anos, que ganha 144 mil bolívares
(R$ 144) por mês como professora - "facilitadora" é
a palavra usada - na Missão Robinson, um supletivo de ensino fundamental
para adultos, que recebem uma bolsa de 160 mil para estudar. "Em
vez de deslegitimar as eleições, eles se deslegitimaram",
analisa Danexa, que conta que os cursos da Missão Robinson (que
segundo o Ministério da Educação já atendeu
a 1,857 milhão de alunos) incluem aulas de "cidadania",
para aprender a gostar da República Boliviariana e a compará-la
com o que havia antes. Entre os benefícios
do governo Chávez citados pelos moradores do 23 de Enero, estão:
as clínicas populares, onde atendem médicos e dentistas
cubanos; as Casas de Alimentação, que servem refeições
de graça para os necessitados; as "escolas bolivarianas",
de período integral, com direito a merenda e almoço; subsídios
para as passagens dos estudantes, que pagam 50 bolívares (R$ 0,05),
e o governo entra com os outros 600 (R$ 0,60). "Agora, o subsídio
é pago em dia", elogia Ángel Urubina, dono de lotação,
uma das muitas classes que apóiam Chávez incondicionalmente.
"Antes, atrasava quatro meses." Do outro lado da cidade,
na rica zona leste de Caracas, as impressões são muito diferentes.
Reunidos à porte da Igreja Santa Rosalía de Palermo, num
discreto gesto de protesto convocado pela organização não-governamental
Súmate, os moradores do bairro de classe média alta de El
Hatillo explicam por que não foram votar. "O sistema eleitoral
é completamente corrupto", diz um funcionário do Ministério
da Ciência e Tecnologia, que pede para não ser identificado,
com medo de perder o emprego. "Eles têm
controle sobre todo o sistema", diz Adelso Barrios, empresário
de 54 anos. "Para eles, é fácil incluir na base de
votação 3 milhões de eleitores." Barrios lembra
que o governo tem os dados de 4,5 milhões de eleitores, que votaram
pela revogação do mandato de Chávez, no referendo
de agosto do ano passado. "Os 2 milhões de funcionários
públicos são chantageados, têm medo de perder seus
empregos, suas aposentadorias." O engenheiro Ernesto Briceño,
de 61 anos, garante: "Não somos abstencionistas. Não
nos deixam votar, porque não respeitam o segredo do nosso voto." Quanto a ficar sem representação na Assembléia Nacional, eles acham que não fará grande diferença, e que a deputada Iris Varela, do MVR, o partido de Chávez, tinha razão quando declarou: "Não vão poder parar as reformas que nos dêem vontade de fazer, porque para isso somos maioria." Para o engenheiro
Simón Parisca, de 58 anos, a Assembléia Nacional se tornou
uma "pantomima". |
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