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Chávez
ganha todo o Parlamento |
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LOURIVAL SANTANNA |
Terça-feira,
6 de dezembro de 2005
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CARACAS O governo do presidente
Hugo Chávez terá unanimidade na Assembléia Nacional
que tomará posse em janeiro. Nas eleições de domingo,
marcadas pelo boicote dos principais partidos de oposição,
as 167 cadeiras do Parlamento foram preenchidas com deputados que apóiam
o governo. Apesar da enorme abstenção, de 75%, o governo,
que se havia empenhado em obter o máximo comparecimento, procurou
dar ao resultado um significado de vitória. "A transição
chegou ao fim na Venezuela", celebrou o presidente da Assembléia
Nacional, Nicolás Maduro, do partido Movimento Quinta República
(MVR), de Chávez. "O povo tomou a Assembléia Nacional."
De acordo com Maduro, os últimos cinco anos, em que o governo tinha
apenas maioria simples no Parlamento, foram uma transição
para o período que se inicia no próximo ano. Maduro anunciou que
a Assembléia adotará mecanismos de consulta direta da população.
"No dia 5 de janeiro, começa uma nova história do Parlamento,
com uma grande participação da cidadania", afirmou.
O presidente da Assembléia reuniu deputados eleitos para apresentá-los,
numa entrevista coletiva, e tentar provar que eles pertencem a diversos
extratos sociais. Maduro chegou a apresentar um dos novos deputados, Pedro
Morejón, como "uma pessoa de classe média". A
adesão a Chávez é bem mais expressiva entre os pobres
do que entre as classes média e alta. Como ficou claro na
primeira aparição do presidente da Assembléia depois
da eleição, todo o esforço do governo será
agora no sentido de provar que o Parlamento eleito sem a participação
da oposição é representativo da população
venezuelana. Dos 11,95 milhões de eleitores, apenas 2,97 votaram,
o que significa um comparecimento de apenas 25%. Foi o segundo maior índice
de abstenção da história da Venezuela, superado apenas
pelo das eleições municipais de 2000, quando atingiu 76%. Dos 167 deputados
eleitos, 162 pertencem ao Bloco Mudança, encabeçado pelo
MVR. Dois estão fora do bloco, mas apóiam o governo. E os
outros três vão ocupar cadeiras cativas para representantes
indígenas. Apesar do tom monocórdico
dos discursos dos deputados apresentados durante a entrevista coletiva,
todos em favor do aprofundamento da "revolução bolivariana"
lidereada por Chávez, Maduro garantiu que esse será um Parlamento
"multipartidário e plurissocial". OPOSIÇÃO César Pérez
Vivas, secretário-geral do Copei, uma das tradicionais agremiações
de oposição que se retiraram da disputa, afirmou ontem que
os advogados do partido vão entrar com uma ação na
Justiça pedindo o anulamento das eleições. Pérez
disse ter certeza de que a Justiça, controlada por Chávez,
não acatará o pedido, mas que a idéia é esgotar
rapidamente as instâncias nacionais, para recorrer a tribunais internacionais. Quatro dos principais
partidos de oposição boicotaram as eleições,
alegando que as urnas eletrônicas importadas dos EUA eram sujeitas
a fraudes, sobretudo à violação do sigilo do voto.
Observadores internacionais da União Européia (UE) e da
Organização de Estados Americanos (OEA), no entanto, atestaram
a lisura do processo eleitoral. Cerca de 400 observadores acompanharam
o pleito, entre enviados da UE e da OEA e de tribunais eleitorais do mundo
todo. A organização não-governamental venezuelana Olho Eleitoral também considerou que as eleições se realizaram em clima de normalidade. Já a entidade Súmate denunciou a "coação" de funcionários públicos por parte do governo e a existência de eleitores que saíam das seções sem a marca de tinta no dedo que os impedia de votar mais de uma vez. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |