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Na
fronteira, o que vale é o tamanho do tanque |
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LOURIVAL SANTANNA |
Domingo,
11 de dezembro de 2005
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SANTA
ELENA DE UAIRÉN O veículo mais
cobiçado na fronteira Brasil-Venezuela é a picape Pampa,
da Ford, na versão 4x4, porque vem com dois tanques originais,
com capacidade total de 90 litros. Num censo recente, foram contadas 290
Pampas na região. Às vezes, nas filas, há seqüências
de mais de 20 Pampas. Uma picape dessas, dos anos 80, é vendida
por R$ 8 mil a R$ 10 mil na região. Daí que os brasileiros
metidos nesse negócio são chamados de "pampeiros".
A precariedade dos carros usados no contrabando e a quantidade de gasolina
que eles carregam renderam também aos seus motoristas o apelido
de "talebans", porque podem explodir a qualquer momento. O brasileiro Jessé,
que, como muitos outros, prefere não ver o sobrenome publicado,
contribuiu, involuntariamente, para essa fama. Sua Pampa pegou fogo há
dois meses. Ele não podia mais trabalhar, porque a Polícia
de Trânsito estava no seu encalço, exigindo 5 milhões
de bolívares (R$ 5 mil) de indenização, por causa
de uns fios queimados. "Tive que dar uma TV zerada para um guarda
de trânsito", amarga Jessé, de 50 anos. "Agora,
ando em carros de amigos." Um grupo de "pampeiros"
se reuniu em torno do repórter do Estado para explicar, quase em
uníssono: "Fazemos isso porque não temos opção,
não existe emprego aqui." Eles contam que, quando o então
governador Flamarion Portela promoveu concursos públicos em Roraima,
em 2002, muitos funcionários não passaram, e desde então
estão desempregados. Seja como for, poucos salários se comparam
à mina de ouro de Santa Elena, o encontro explosivo entre uma das
gasolinas mais caras e uma das mais baratas do mundo. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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