|
Onda
de distúrbios deixa 9 mortos |
|
|
LOURIVAL SANTANNA |
Domingo,
14 de abril de 2002
|
|
CARACAS A polícia venezuelana
divulgou, no início da noite de ontem, um balanço provisório
dos distúrbios registrados no país desde a prisão
de Hugo Chávez na madrugada de sexta-feira. Nove pessoas morreram,
incluindo um policial, e 48 ficaram feridas na onda de choques e saques
que se espalhou Um manifestante se
aproximou do jornalista brasileiro batendo nervosamente dois pedaços
de pau. "Isso aqui é um ato pacífico", repreendeu
Lanyaired. Ela disse que seu marido e familiares são militares,
e eles estão "chorando de raiva e de decepção,
porque não podem fazer nada" diante da decisão da cúpula
das Forças Armadas de depor Chávez. "Aqui vai haver
uma explosão social se não se revela onde está Chávez",
advertiu o estudante de artes Humberto Rangel, referindo-se às
notícias desencontradas sobre o paradeiro do ex-presidente. "Não
aceitaremos a imposição do poder econômico e dos militares
corruptos", esbravejou o A manifestação
ocupou as duas pistas da Avenida Urdaneta, uma das principais do centro
de Caracas. Outras avenidas e ruas importantes também foram fechadas,
depois que manifestantes ergueram barricadas com madeiras e pneus em chamas.
Na noite de sexta-feira,
a rodovia que liga o Aeroporto Juan Santa María a Caracas já
havia sido interditada por simpatizantes de Hugo Chávez que moram
nas favelas das encostas dos morros que circundam a cidade. Uma fila de
carros de vários quilômetros se formou na chamada Autopista,
Sentados ou deitados
no chão, ou perambulando pelo aeroporto, centenas de pessoas que
desembarcaram desde o início da noite tiveram de esperar a noite
toda para poder seguir para suas casas e hotéis. A Autopista só
foi liberada na madrugada de ontem. "Começou
a guerra", anunciou o motorista de táxi Carlos Alberto Aguilera,
enquanto levava o repórter do Estado para um hotel no balneário
de Puerto Viejo, ao lado do aeroporto. "Os ricos fizeram a parte
deles. Puseram fogo no pavio. Agora é a nossa vez. Vamos defender
Chávez até a morte." Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
| Anterior |