|
Pesquisas
de boca-de-urna dão a Chávez vitória no referendo |
|
|
LOURIVAL SANTANNA |
Segunda-feira,
3 de dezembro de 2007
|
|
CARACAS Três pesquisas
de boca-de-urna indicaram a vitória do "sim" no referendo
sobre a reforma constitucional realizado ontem na Venezuela. Até
as 22h40 de ontem (0h40 de hoje em Brasília), não haviam
saído resultados oficiais. O presidente Hugo Chávez coleciona
vitórias eleitorais desde que se elegeu presidente pela primeira
vez, em 1998, mas dessa vez a margem foi bem menor, segundo as pesquisas.
"A disputa está apertada", reconheceu à noite
o vice-presidente Jorge Rodríguez, que comandou a campanha em favor
da reforma. Segundo a PLM Consultores,
a vitória foi de 54% a 46% dos votos; o Datanálisis computou
56% a 44% e o Instituto Venezuelano de Análises e Dados, 53% a
47%. Aparentemente em razão da disputa acirrada, o Conselho Nacional
Eleitoral (CNE) atrasou a divulgação dos resultados, que
havia sido prevista para as 19h. A votação transcorreu em
clima de tranqüilidade. A reforma constitucional foi proposta pelo
presidente e pela Assembléia Nacional por ele dominada. "O espírito
da democracia se instala cada vez mais na Venezuela, uma democracia participativa
e de protagonismo", festejou Chávez, que com a aprovação
da reforma poderá se candidatar à reeleição
quantas vezes quiser e acumulará poderes sem precedentes (leia
Oposição vai
ao Supremo Tribunal contra reforma). "Nunca na Venezuela se tinha
votado tanto quanto nesses dez anos de revolução democrática
pacífica bolivariana", prosseguiu, numa rápida entrevista
coletiva, ao votar, às 13h, numa escola técnica no bairro
23 de Enero, área pobre de forte tradição esquerdista
no oeste de Caracas. No discurso de encerramento
da campanha, na sexta-feira, Chávez afirmara que o "sim"
no referendo seria um voto nele e o "não" um voto no
presidente americano, George W. Bush. Na pergunta que os eleitores responderam,
ficou explícito o patrocínio do popular presidente à
reforma: "Você aprova o projeto de reforma constitucional com
seus títulos, capítulos, disposições transitórias,
derrogatória e final, apresentado em dois blocos e sancionado pela
Assembléia Nacional com a participação do povo e
com base na iniciativa do presidente Hugo Chávez?" O presidente propôs
a alteração de 33 artigos da Constituição
e a Assembléia Nacional, de outros 36. Os eleitores votaram nos
dois blocos separadamente. Na campanha, Chávez apresentou a reforma
como um passo decisivo em sua "revolução socialista
bolivariana", incluindo a introdução de formas "comunais",
"sociais" e "coletivas" de propriedade. Para a oposição,
a reforma mergulha o país numa "ditadura militarista e socialista".
A adesão de
muitos chavistas à reforma foi abalada pela legalização
dos conselhos populares, que tiram poder dos sindicatos e de outras entidades
representativas, e pela oposição do respeitado general Raúl
Baduel, que liderou a recondução de Chávez ao poder
na tentativa de golpe de 2002. Até a última semana, as pesquisas
previam a vitória do "não". Elas passaram a indicar
empate técnico nos últimos dias, depois que Chávez
se engajou intensamente na campanha. Com a proibição
de fazer campanha ontem, líderes do governo e da oposição
passaram o dia dando declarações com mensagens subliminares
em favor ou contra a reforma constitucional. "Hoje na Venezuela decidimos
se vamos no caminho do socialismo ou da democracia", definiu Leopoldo
López, prefeito (equivalente a administrador regional) de Chacao,
bairro de Caracas, e integrante do partido de oposição Um
Novo Tempo. "Este referendo
é mais importante do que uma eleição presidencial",
enfatizou o governador do Estado de Zulia, Manuel Rosales, segundo colocado
na disputa pela presidência em dezembro do ano passado. "A
Venezuela está no meio de uma grande encruzilhada. Ou tomamos o
caminho do conflito, da violência, ou da paz e do diálogo." "Jovens que querem viver em liberdade, que querem ter trabalho e educação, votem", pediu Yon Goicoechea, o principal líder estudantil do país. "Hoje é o dia em que todos temos que mostrar a cara", definiu Goicoechea, um estudante de direito de 23 anos alçado à condição de um dos principais líderes da oposição, no vácuo deixado pelos partidos tradicionais, desmoralizados por escândalos de corrupção antes da primeira eleição de Chávez, em 1998, e pelas sucessivas derrotas eleitorais, desde então. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |