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Oposição
vai ao Supremo Tribunal contra reforma |
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LOURIVAL SANTANNA |
Segunda-feira,
3 de dezembro de 2007
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CARACAS Se confirmada, aprovação
da reforma constitucional no referendo de ontem inaugura uma nova batalha
jurídica no Tribunal Supremo de Justiça (TSJ). Apesar da
visível composição pró-chavista do tribunal,
a oposição anunciou que entraria com novas ações
no TSJ, em caso da vitória do "sim", pedindo que a reforma
seja considerada inconstitucional. Segundo os oposicionistas, não
se trata de uma simples reforma, mas de uma nova Carta, que só
pode ser aprovada por uma Assembléia Constituinte. O TSJ rejeitou ações
nesse sentido impetradas depois que a Assembléia Nacional, dominada
pelo governo, aprovou a reforma, no dia 2 de novembro. O tribunal alegou
que só poderia analisar o assunto depois que a reforma fosse aprovada
no referendo, já que antes disso não tinha validade. "Espero
que os magistrados do TSJ não manchem a sua reputação
e a de suas famílias", disse o general Raúl Baduel,
ex-ministro da Defesa que rompeu com Chávez por causa da reforma
e se consolida como uma das principais figuras da oposição.
Ao votar ontem, Chávez
defendeu a legalidade do referendo: "De acordo com a Constituição
de 1999, uma das mais avançadas do mundo, nem uma vírgula
dela pode ser modificada sem consulta popular." O presidente recordou
que a Constituição anterior, de 1961, foi aprovada não
por uma Assembléia Constituinte, mas pelo Congresso, dominado pelos
partidos Ação Democrática e Copei, "sem consultar
a ninguém". A reforma altera 69
artigos da Constituição promulgada pelo próprio Chávez
em 1999 - dos quais, 33 propostas pelo presidente e 36, pela Assembléia.
Mas, segundo uma "análise cruzada" divulgada por Baduel,
ela "impacta" 250 dos 339 artigos. A reforma permite
ao presidente, reeleito no ano passado, voltar a disputar o cargo um número
indefinido de vezes, além de estender seu mandato de seis para
sete anos. As Forças Armadas passam a comprometer-se legalmente
com o "socialismo bolivariano", e ganham uma nova "Milícia
Bolivariana" e poder de polícia. Por decreto, o presidente
pode criar cidades e províncias federais e nomear seus governantes,
passando por cima das autoridades eleitas. Os conselhos comunais,
patrocinados pelo governo central, são institucionalizados e passam
a gerir empresas, assumindo uma forma de representação política
paralela aos parlamentos nacional, estaduais e municipais, aos sindicatos,
entidades estudantis, etc. O Banco Central perde sua autonomia e os ministros
do TSJ podem ser destituídos por maioria simples na Assembléia
Nacional, e não mais por dois terços. Só o presidente
pode suspender o estado de exceção, e não mais a
Assembléia Nacional, e é suprimido o direito ao "devido
processo". Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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