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Sistema
de votação é aprovado em testes |
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LOURIVAL SANTANNA |
Segunda-feira,
3 de dezembro de 2007
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CARACAS Num país fortemente
polarizado, governo e oposição finalmente concordam em pelo
menos uma coisa: o sistema de votação da Venezuela é
confiável. Não é para menos. Depois do traumático
referendo de 2004, quando listas de votação e denúncias
de perseguições por parte do governo circularam pelo país,
e das eleições parlamentares de 2005, das quais a oposição
se retirou alegando que o sigilo do voto não estava garantido,
o sistema foi submetido a uma bateria de testes e auditorias tão
exaustiva que beirou a paranóia. Batizado de Operação
Erro Zero, o esquema de controle do Conselho Nacional Eleitoral (CNE)
envolveu 13 auditorias, com o acompanhamento de fiscais do Comando Zamora,
que conduziu a campanha pelo "sim", e do Bloco do Não.
O voto é eletrônico, como no Brasil. Tanto o hardware quanto
o software usados nas 33.939 máquinas de votação
foram testados, assim como dos 11.929 aparelhos de reconhecimento das
impressões digitais, usados na entrada das seções
eleitorais. Os testes incluíram
várias simulações de votações, para
confirmar se o voto dado nas máquinas era transmitido corretamente
para o sistema central de contagem. Além de transmitir eletronicamente
o voto, as máquinas imprimem atas de votação. Depois
de fechadas as urnas, ontem à tarde, estava previsto um trabalho
de conferência dos votos de 54% das máquinas. Amostras de
todos os lotes da tinta indelével colocada no dedo dos eleitores,
fabricada pela Universidade Central da Venezuela, também foram
rigorosamente analisadas, no despacho e na chegada, depois de denúncias
em eleições anteriores de que ela se apagava. Mesmo assim,
essas denúncias se repetiram ontem. O sistema embaralhou
a ordem de votação e os aparelhos de leitura de impressão
digital ficaram desconectados do sistema central, para desfazer o temor
de violação do sigilo do voto. Nas eleições
parlamentares de dezembro de 2005, mesmo depois de o CNE aceitar a sua
exigência de excluir os leitores de impressões digitais,
a oposição se retirou da disputa. Como resultado, a abstenção
alcançou 75% e o governo ficou com todas as cadeiras da Assembléia
Nacional. "Parece-me, pelo
que vimos, que o sistema funcionou bem", disse ao Estado o
deputado Aldo Rebelo (PC do B/SP), um dos 100 observadores de 33 países
convidados pelo CNE. "Imaginei que seria mais demorado, mas votaram
rapidamente", observou Rebelo, que visitou dez seções
eleitorais em Caracas. Além dele, vieram também o senador
José Nery (PSOL-AC) e o deputado Nilson Mourão (PT-AC).
O CNE descredenciou o ex-presidente boliviano Jorge Quiroga, depois que
ele fez críticas ao órgão, dominado por chavistas.
Quatro organizações não-governamentais venezuelanas
monitoram a contagem, ao lado dos fiscais do governo e da oposição.
"O sistema eleitoral
venezuelano é um dos mais modernos e transparentes do mundo",
celebrou ontem Chávez. A afirmação foi repetida ao
longo do dia por ministros e outros funcionários do governo. Menos
efusiva, a oposição exortou os eleitores não só
a votar, mas também a acudir aos centros de votação
depois do fechamento das urnas para "vigiar" o seu voto. "Não
há nenhuma maneira de descobrir em quem você votou",
procurou tranqüilizar Delsa Solorzano, dirigente do partido Um Novo
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