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Guiana
cobra satisfação de governo chavista |
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LOURIVAL SANTANNA |
Quarta-feira,
21 de novembro de 2007
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CARACAS O governo da Guiana
cobrou ontem uma satisfação da Venezuela sobre a ação
militar realizada na semana passada num garimpo de ouro na fronteira entre
os dois países. De acordo com o chanceler da Guiana, Rudolph Insanally,
a aparente invasão do território guianês criou "uma
situação muito tensa para o governo do presidente Bharrat
Jagdeo". "Os partidos
políticos e os meios de comunicação estão
muito contrariados com o que aconteceu", disse Insanally, ouvido
pelo jornal El Nacional, de Caracas. "Pelo bem das relações,
esperamos uma explicação o quanto antes, porque nos estão
pressionando para que protestemos. Essa questão nos pôs numa
situação muito comprometedora." O embaixador da Venezuela
em Georgetown, Darío Morandy, convocado na quinta-feira a dar explicações
sobre o incidente, disse que o governo em Caracas só poderia se
pronunciar depois da volta do chanceler Nicolás Maduro, que acompanha
o presidente Chávez numa visita ao Irã, França e
Portugal. Morandy assegurou,
no entanto, que a explosão de duas dragas pelo Exército
ocorreu em território venezuelano, no Rio Wenamu, e seu propósito
foi "desativar os focos ilegais de exploração de minerais,
para proteger o meio ambiente". Já o governo guianês
insiste que as dragas estavam em seu território, no rio Cuyuní. Morandy também
respondeu a um artigo do senador José Sarney (PMDB-AP), publicado
no domingo pelo jornal Folha de São Paulo, que falava de uma hipótese
de conflito entre os dois países: "A Venezuela não
está interessada em invadir ninguém. Essas versões
as põem a circular os detratores do presidente Hugo Chávez,
que querem fazê-lo parecer uma força imperial. Isso jamais
acontecerá." Numa disputa que remonta ao fim do século 19, a Venezuela reivindica a porção da Guiana a oeste do Rio Essequibo, que representa dois terços do território da ex-colônia inglesa. Em março de 2006, a Assembléia Nacional aprovou o acréscimo de uma oitava estrela à bandeira venezuelana, representando "a província de Guayana", atual Guiana. Chávez, cujas compras de material bélico têm chamado a atenção dos vizinhos, mantém uma amizade ambígua com a Guiana. Ao receber as chaves de Georgetown, em fevereiro de 2004, ele propôs "a verdadeira unidade entre Venezuela e Guiana, a unidade integral", deixando no ar o que ele queria dizer com isso. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |