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Chávez
reúne 50 mil, ofusca marcha da oposição e diz que
país virou potência |
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LOURIVAL SANTANNA |
Quinta-feira,
22 de novembro de 2007
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CARACAS A "revolução
bolivariana" transformou a Venezuela numa "potência mundial",
evitou a "aniquilação" da Organização
dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e dela depende
a "salvação do mundo". Essas foram algumas das
afirmações do presidente Hugo Chávez, num discurso
de uma hora a dezenas de milhares de pessoas que se reuniram ontem à
noite em frente ao Palácio Miraflores, para manifestar apoio à
sua reforma constitucional, que será submetida a referendo no dia
2. Prosseguindo no seu
raciocínio, Chávez recordou que, quando assumiu a presidência
da Conferência da Opep, em 2000, o barril do petróleo custava
US$ 7. "Entreguei a Opep com o petróleo a quase US$ 100, que
é o preço justo", vangloriou-se Chávez, que
contou ter dito isso ao rei Abdullah, da Arábia Saudita, ao passar-lhe
a presidência na reunião da organização, na
semana passada, em Riad. "Salvamos a Opep", garantiu Chávez.
"Se não fosse a revolução bolivariana, a Opep
estaria aniquilada. Já estamos desempenhando o papel de potência
mundial." Lembrando que no seu
giro visitou o presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, Chávez
aproveitou para fazer uma advertência aos Estados Unidos: "Que
não ocorra ao império americano invadir o Irã."
Chávez não explicou a relação entre a sua
gestão na Opep e a alta do petróleo, nem por que sua "revolução"
representa a "salvação do mundo". Mas negou que
sua intenção de criar um programa nuclear na Venezuela esconda
o desejo de ter a bomba atômica: "Não estou fazendo
a bomba atômica, porque já tenho vocês, muchachos",
disse ele, dirigindo-se aos manifestantes. "Vocês são
a bomba atômica venezuelana." O encontro apoteótico
com Chávez culminou uma manifestação que teve por
objetivo neutralizar uma outra, convocada pelos estudantes contrários
à reforma. A oposição reuniu apenas alguns milhares
de pessoas, num outro ponto do centro da cidade. Não houve confrontos
entre os dois grupos. Trazidos de ônibus
de todas as partes da Venezuela, os manifestantes chavistas eram, em grande
parte, beneficiários dos programas sociais do governo, que concedem
bolsas de estudo, de trabalho "voluntário" e de complementação
de renda. Vestidos com camisetas e bonés que formaram um mar vermelho
na Avenida Urdaneta, uma das principais de Caracas, eles exibiam siglas
e símbolos que indicavam sua filiação às "missões"
nas quais se dividem esses programas. No início da
noite, a multidão, calculada em 50 mil pessoas, aglomerou-se em
frente ao Palácio Miraflores, para "receber" Chávez,
saudado entusiasticamente, com fogos de artifício e gritos de "viva
el comandante". Muitos choraram de emoção ao ouvir
Chávez, que cantou ao microfone várias canções
românticas, dizendo-se "apaixonado pela vida, pela pátria,
pela juventude e pela revolução". Durante o dia, os
estudantes universitários contrários à reforma evitaram
um confronto com os chavistas. Eles haviam anunciado que sairiam no fim
da manhã da Praça da Reitoria, na Universidade Central da
Venezuela (UCV), e de lá caminhariam para a Praça Brión,
no bairro central do Chacaíto. Os governistas organizaram então
a sua marcha, partindo da Praça Venezuela, que fica a apenas 800
passos da Praça da Reitoria. Não contentes, reuniram, no
mesmo horário, na Praça da Reitoria, um grupo de cerca de
250 chavistas, supostamente estudantes da UCV. Com isso, os líderes estudantis da UCV mudaram os planos. Percorreram as faculdades da universidade pública, a mais importante do país, para reunir os estudantes, e saíram pelo outro lado do câmpus, caminhando até a Praça Brión. "A essa guerra têm de se somar todos os setores", discursou Yon Goicochea, um dos líderes do movimento. "Não aceitamos a chantagem de que somos os salvadores da pátria. Queremos 27 milhões de salvadores da pátria", completou, referindo-se à população do país. Já Stalin González,
outro líder do movimento, pediu aos venezuelanos que compareçam
às urnas no referendo do dia 2, para votar contra a reforma. Muitos
dos que se opõem a Chávez e à reforma têm defendido
a abstenção, que, segundo as pesquisas, deve beneficiar
o governo. "Chávez
fez muitas coisas boas para nós", disse Carmen Garrido, de
33 anos, separada, quatro filhos, que recebe uma bolsa de 180 mil bolívares
(US$ 84, no câmbio oficial, ou US$ 33, no paralelo) para fazer um
supletivo do ensino médio, chamado de Missão Ribas. "Graças
a ele, tivemos a oportunidade de tirar o secundário", completou
Carmen, que vive em Parquisinato, a 6 horas de Caracas, e veio num ônibus
fretado pelo governo, com colegas da Missão Ribas. "Somos socialistas
porque não queremos voltar ao capitalismo, quando éramos
mães submissas", explicou Miriam Asuaje, de 42 anos, quatro
filhos, que recebe 500 mil bolívares do programa Mães do
Bairro, que oferece cursos de corte e costura, cabeleireira e artesanato,
e oficinas sobre socialismo e Che Guevara. "Faço
o curso de medicina porque o escolhi", disse Estefania Carrera, de
18 anos, enquanto caminhava da UCV para a manifestação anti-reforma.
"Se o governo conseguir o que quer, quando por exemplo ele achar
que tem médico demais e precisa de agricultores, terei que deixar
minha carreira e ser agricultora." O estudante de direito
Carlos Arrioja, de 17 anos, teme que a reforma elimine a autonomia universitária:
"Parece-nos muito arriscado entregar ao Estado nossa segurança
e o poder de demitir e contratar professores." Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |