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Há
50 anos, um protesto parecido |
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LOURIVAL SANTANNA |
Quinta-feira,
22 de novembro de 2007
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CARACAS Há exatos 50
anos, estudantes universitários saíram às ruas de
Caracas para protestar contra uma outra consulta popular. Convocado pelo
general Marcos Pérez Jiménez, o plebiscito tinha por objetivo
assegurar sua manutenção na presidência, que ele ocupava
havia cinco anos. As coincidências não terminam aí.
Pérez Jiménez assumiu a presidência, interinamente,
num dia 2 de dezembro (de 1952), depois de ter participado de um golpe
militar quatro anos antes. Nessa mesma data a reforma constitucional,
que garante a Hugo Chávez a reeleição ilimitada,
será submetida a referendo. Admirador de Pérez
Jiménez, Chávez, um ex-tenente-coronel que também
liderou um golpe (fracassado), em 1992, convidou o ex-ditador para a sua
posse no seu primeiro mandato presidencial, em 1999. Pérez Jiménez,
que estava exilado na Espanha, declinou do convite. Mas alguns analistas
reconhecem inspiração pérez-jimenista em muitos procedimentos
adotados por Chávez -incluindo sua estratégia de se perpetuar
no poder por meio de um diálogo direto com o povo, do qual o general
era considerado um "pai", assim como Getúlio Vargas,
no Brasil. Depois que os estudantes
se lançaram às ruas, muitos com boinas azuis, como as que
se viam ontem na manifestação antichavista, a ditadura de
Pérez Jiménez durou pouco. Ele foi deposto no dia 23 de
janeiro de 1958, por um grupo de civis e militares dissidentes, e fugiu
para os Estados Unidos num avião particular batizado de "Vaca
Sagrada". Em 1963, o governo venezuelano obteve a extradição
do general. Cinco anos depois, ele foi condenado a quatro anos de prisão,
e solto por já haver cumprido mais do que isso na cadeia. Pérez
Jiménez partiu para o auto-exílio na Espanha, onde morreu,
em 2001. Os venezuelanos consideram
que o movimento estudantil nasceu no país na marcha contra Pérez
Jiménez, e por isso nessa data se celebra o dia dos estudantes.
"A responsabilidade dos estudantes de hoje é maior que a da
geração de 58", avalia hoje o analista político
Héctor Pérez Marcano, um dos líderes estudantis daquele
movimento. "Pelo menos Pérez Jiménez se assumia como
ditador militar. Já Hugo Chávez, cujo projeto é totalitário
e não tem nada de socialista, finge ser democrata." Pérez Marcano
está lançando um livro, intitulado A Invasão de Cuba
da Venezuela, no qual argumenta que o regime chavista é uma "invasão
consentida", que permite a Fidel Castro realizar sua estratégia
continental de exportar a revolução, fracassada nos anos
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