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'Considero
todas as opções', diz Chávez |
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LOURIVAL SANTANNA |
Sábado,
24 de novembro de 2007
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CARACAS O presidente da Venezuela,
Hugo Chávez, fez ontem uma advertência enigmática
sobre a hipótese de ser derrotado no referendo do dia 2, que decidirá
o futuro de sua reforma constitucional. "Se ganhar o 'não',
terei que iniciar um processo profundo de reflexão", disse
Chávez, depois da divulgação de mais uma pesquisa
de opinião prevendo a vitória do "não".
"Creio que vai ganhar o 'sim', mas devem-se considerar todas as opções." O presidente deixou
no ar qual seria sua reação diante da derrota, mas emendou
outro raciocínio, dirigindo-se a adversários que supostamente
tramariam matá-lo: "Pensem bem. Não ficará pedra
sobre pedra e se arrependerão por toda a vida." Durante longo
discurso a representantes de conselhos populares, no ginásio Poliedro,
em Caracas, Chávez disse que as greves de médicos e de motoristas,
assim como a crise de desabastecimento de alimentos, são parte
de uma conspiração desses adversários para criar
o caos no país. "Em todas as suas tentativas, fracassaram,
mas vão seguir tentando", alertou aos militantes bolivarianos,
entre aplausos emocionados. "Por isso, devemos seguir derrotando-os
em todos os terrenos em que nos dêem batalha." De acordo com sondagem
divulgada ontem pelo instituto de pesquisas Keller & Asociados, 45%
dos entrevistados votariam contra a reforma e 31% a favor, enquanto 24%
estão indecisos. Entre os que afirmaram que vão comparecer
às urnas no dia 2, 45% optariam pelo "não", 40%
pelo "sim" e os restantes 15% não decidiram. Muitos observadores
advertem que não existem pesquisas confiáveis na Venezuela.
Em seu discurso de ontem, exibido ao vivo pela TV estatal, Chávez
menosprezou as sondagens, com as quais "os setores adversários
buscam confundir os venezuelanos e dar ânimo a suas esquálidas
fileiras". Independentemente
da precisão das pesquisas, há uma convicção
generalizada de que a abstenção beneficiaria o governo,
diante da apatia de parte dos antichavistas, que desde 1998 já
assistiram ao presidente vencer 11 votações. No referendo
do "recall" em 2004, sobre a continuação ou revogação
do mandato de Chávez, surgiram histórias de que o governo
teria violado o sigilo do voto eletrônico e, com base nas listas,
teria demitido funcionários públicos e perseguido eleitores
que votaram "sim". Por causa disso, em
2005, apesar de observadores internacionais atestarem a segurança
do sistema, a oposição retirou-se da eleição
para a Assembléia Nacional, resultando numa maioria parlamentar
de 100% para o governo. Parte da oposição percebeu o erro,
e tem revisto sua estratégia, culminando num relatório divulgado
ontem pelo jornal oposicionista TalCual. De acordo com o relatório,
uma análise técnica do processo eleitoral concluiu que as
urnas eletrônicas são confiáveis. Segundo o cruzamento
de dados, tanto no referendo revogatório de 2004 quanto na eleição
presidencial do ano passado, Chávez teve melhor votação
nas 600 seções eleitorais em que o voto foi manual do que
nas 33 mil cujas urnas eram eletrônicas. O relatório, preparado
para o Bloco do Não, conclui que a oposição tem meios
de fiscalizar a contagem dos votos e de evitar fraudes. O relatório
tem o claro intuito de convencer a fatia recalcitrante da oposição
a ir votar no dia 2. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE), dominado por
chavistas, tem rejeitado sistematicamente os recursos da oposição
sobre o uso indevido dos órgãos e recursos públicos
na propaganda governista, no que a pesquisadora Francine Jácome,
do Instituto Venezuelano de Estudos Sociais e Políticos, vê
um propósito: "Muitas ações do CNE buscam gerar
desconfiança em relação ao processo, porque a abstenção
convém ao governo." Exortando os venezuelanos
a votar pelo "sim", Chávez detalhou ontem a sua proposta,
contida na reforma constitucional, de destinar pelo menos 5% do orçamento
aos conselhos populares, e de permitir ainda que eles obtenham receita
gerindo "empresas de produção comunal". Segundo ele, os conselhos
podem usar esse dinheiro para tapar buracos nas ruas, melhorar as escolas
ou mesmo ajudar as famílias pobres. "O povo é generoso",
disse o presidente, inflamando-se: "Bem-aventurados os pobres, porque
deles será o reino dos céus, e o reino dos céus é
o socialismo, a igualdade. Aqui está a proposta divina de Cristo,
redentor dos pobres." E arrematou, atacando as autoridades das igrejas
católica e evangélicas que definiram a reforma como anticristã:
"Condeno-os ao inferno." |