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Poder
de compra tem aumento brutal, mas setor privado encolhe |
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LOURIVAL SANTANNA |
Domingo,
25 de novembro de 2007
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CARACAS Ao lado do aumento
no salário mínimo, a renda dos venezuelanos tem sido incrementada
por uma explosão nas contratações no serviço
público e por vastos programas de bolsas para estudantes de supletivos,
de cursos superiores alternativos e de capacitação para
donas-de-casa. Essas bolsas vão de 180 mil bolívares a 500
mil (US$ 84 a US$ 233, no câmbio oficial). Pode parecer pouco. Missões não
faltam na Venezuela de Chávez. Arnaldo Infante, de 33 anos, recebe
uma bolsa de 350 mil bolívares para trabalhar na Missão
Energética, que consiste em ir de casa em casa trocando lâmpadas
incandescentes por fluorescentes, e assim economizar energia. Na próxima
fase, a missão vai instalar reguladores de consumo nas geladeiras. Victor Mora, de 31
anos, estudante de serviço social, ganha meio salário mínimo
(307 mil bolívares) para trabalhar como "brigadista"
na "conscientização" de jovens, pelo Instituto
Nacional da Juventude. Mora faz parte da tropa de choque que tomou a Escola
de Trabalho Social, num confronto com estudantes contrários à
reforma constitucional, na Universidade Central da Venezuela, dia 14. E há quadros
profissionais, como Erickmar Rodríguez, de 25 anos. Graduada em
serviço social em Cuba, ela tem salário de 1 milhão
de bolívares (US$ 466) no Instituto Municipal para a Juventude
de Caracas (cujo prefeito é o chavista Freddy Bernal), que dá
"formação acadêmica, esportiva, cultural e ideológica"
aos jovens. Além de formar
uma sólida rede de apoio ao regime, essa miríade de programas
repercute sobre a economia. Estudo feito pela empresa de pesquisas Datos
mostra que, nos últimos quatro anos, a renda média mensal
das famílias da classe E, que representam 58% da população,
saltou de 286 mil para 987 mil bolívares (245%), enquanto na classe
D subiu de 760 mil para 1,264 milhão (66%). O irônico é
que foi justamente esse aumento brutal no poder de compra que levou ao
desabastecimento: a produção, restrita pelo encolhimento
do setor privado, é incapaz de acompanhar a demanda. O problema
tende a se agravar. Eduardo Gómez
Sigala, presidente da Confederação Venezuelana de Industriais,
adverte que, no primeiro trimestre de 2008, haverá maior escassez.
Mesmo com o bolívar mantido artificialmente alto (mais do dobro
do câmbio paralelo), o congelamento torna impraticável a
importação de produtos com preços tabelados muito
abaixo do seu valor no mercado internacional. Além disso, os desestímulos
aos investimentos privados, como excesso de regulação, impostos
altos, entraves burocráticos e estatização de empresas,
diz Sigala, levaram ao fechamento de 6 mil fábricas, ou 40% do
pequeno parque industrial venezuelano, desde a eleição de
Chávez, em 1998. O congelamento de
preços é a resposta do governo às pressões
da inflação, que registrou 17% de outubro a outubro, deve
fechar em 18% este ano e em 21% em 2008, segundo estimativa do economista
Asdrúbal Olivero, da Ecoanalítica. Na Venezuela, até
para os estrangeiros que embarcam de volta para seus países é
proibido trocar bolívares por dólares, tamanha a escassez
de divisas enfrentada pelo país, apesar de ser um dos maiores exportadores
de petróleo do mundo. A explicação para isso está
na explosão dos gastos públicos, que tende a aumentar. Do
orçamento de 137 trilhões de bolívares em 2008 (dos
quais, 51,7 trilhões provêm do petróleo), Chávez
promete destinar no mínimo 5% para os "conselhos populares"
e as novas empresas que eles poderão possuir, uma vez aprovada
a reforma constitucional. O pior é que
a receita do petróleo, apesar do aumento do preço, tem caído
há cinco trimestres consecutivos. De acordo com o especialista
Elie Habalián, a produção diminuiu de 2,65 milhões
de barris por dia em 2003 (em vez dos 3 milhões que o governo afirmava
produzir) para 2,45 milhões. As causas, segundo ele, são
a falta de investimentos e a incompetência dos técnicos que
assumiram depois do expurgo de 20 mil funcionários da estatal PDVSA
no início de 2003, ao fim de uma greve contra Chávez. "Desde
o fim da greve, a produção e a qualidade dos produtos vêm
minguando, e vão seguir assim por algum tempo", prevê
Habelián, que foi governador venezuelano na Organização
dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) em 2003. Chávez criou
uma equação difícil de fechar. |
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