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Ex-guerrilheiros
denunciam 'plano autoritário' do presidente |
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LOURIVAL SANTANNA |
Segunda-feira,
26 de novembro de 2007
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CARACAS Habituado a desqualificar
seus críticos como representantes da "oligarquia de direita",
o presidente Hugo Chávez teve as suas credenciais de esquerdista
duramente contestadas por um grupo de velhos guerrilheiros e militantes
comunistas venezuelanos. Reunidos num hotel no centro de Caracas, no sábado,
os militantes denunciaram a reforma constitucional que vai a referendo
no domingo, como um projeto "neoliberal", que favorece as multinacionais
do petróleo, e "autoritário", que transfere o
poder do povo para o Estado. Douglas Bravo, líder do Partido da Revolução Venezuelana Terceiro Caminho (PRV), avaliou que os conselhos populares, criados por Chávez e ampliados pela reforma, retiram a "autonomia e independência do poder popular". Na sua visão, a mudança da Constituição, já aprovada na Assembléia Nacional e a ser ratificada no domingo, introduzirá não uma democracia direta, como afirma Chávez, mas um controle "militarista" sobre a população. "A Constituição
de 1999 era neoliberal, mas parlamentar", disse Bravo, referindo-se
à Carta aprovada no primeiro ano do primeiro mandato de Chávez.
"A de 2007 é militarista." Ex-guerrilheiro, Bravo fundou
com Chávez, em 1982, o Movimento Bolivariano Revolucionário
200 (MBR-200), do qual era o líder civil, enquanto Chávez,
ainda na ativa, atuava clandestinamente como comandante militar. De acordo
com o biógrafo AlbertoGarrido,
Douglas foi "o primeiro mentor ideológico de Chávez". Para o especialista
em petróleo Pablo Hernández, "a essência da reforma"
está na legalização das empresas de economia mista
para a exploração do petróleo e dos outros recursos
minerais, um retrocesso, na visão dele, em relação
à nacionalização de 1976. "A partir daí,
o capital estrangeiro pode fazer o que quiser no país", criticou
Hernández, ideólogo marxista e professor da Universidade
Yacambu. "Quem vai competir com o capital estrangeiro? Em nome do
socialismo do século 21 e de (Simón) Bolívar, entregou-se
a Faixa do Orinoco (onde se concentra o petróleo venezuelano) ao
capital transnacional." "Nunca fomos
tão rentistas quanto no governo Chávez", disse Hernández,
referindo-se ao uso político da receita do petróleo pelo
Estado venezuelano, sem investir no desenvolvimento do país. "Nos
últimos 90 anos, a Venezuela tem sido rentista, mas o mais irritante
é que no 'governo revolucionário' isso se agravou."
Douglas Bravo lembrou
que, em 1996, o PRV entrou com uma ação no Tribunal Supremo
de Justiça, para impugnar a abertura do setor petroleiro pelo então
presidente Rafael Caldera, com base na Constituição vigente
na época. A ação seguiu seu curso no TSJ até
1999, quando foi anulada, porque a nova Constituição, de
Chávez, sacramentava a participação das multinacionais,
disse Bravo. De acordo com o líder
comunista, Chávez firmou um "pacto" com o Grupo Cisneros,
o maior do país, que abandonou uma posição crítica
e passou a apoiar o governo. "Precisamos de um pacto popular, que
substitua o pacto Cisneros-Chávez-Carter", propôs aos
militantes de esquerda, numa referência a um encontro entre Chávez
e o empresário Gustavo Cisneros, mediado pelo ex-presidente americano
Jimmy Carter, em 2004. "A corrente neoliberal
conservadora não chega a 10% do governo e o domina", observou
Bravo. "Mas há correntes revolucionárias de esquerda
dentro do governo que precisamos atrair, e há outras forças
populares que estão nas ruas, como os estudantes, que não
são ricos." Os organizadores do
encontro mantêm contato com o general Raúl Isaías
Baduel, ex-comandante do Exército e ex-ministro da Defesa, que
garantiu o retorno de Chávez ao poder depois de uma tentativa de
golpe em 2002, mas rompeu com o governo no início deste mês,
por discordar da reforma constitucional. Baduel também participava
do MBR-200. Os militantes se comprometeram a "mobilizar" operários,
camponeses, índios e militares para um movimento contra a reforma
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