|
Chávez
faz ameaça a empresários anti-reforma |
|
|
LOURIVAL SANTANNA |
Quarta-feira,
28 de novembro de 2007
|
|
CARACAS O presidente Hugo
Chávez ameaçou confiscar as empresas filiadas à Federação
de Câmaras e Associações de Comércio e Produção
da Venezuela (Fedecámaras) por sua oposição à
reforma constitucional, que será submetida a referendo no domingo.
"Se o presidente da Fedecámaras insistir em suas ameaças
ao governo bolivariano, tiro-lhes todas as empresas que eles têm",
disse Chávez, durante um evento com empresários que apóiam
a reforma, num hotel em Caracas, na noite de segunda-feira. "O presidente
da Fedecámaras, assustado, ameaçou-nos de fazer tudo que
tivesse que ser feito para evitar a aprovação da reforma
constitucional. Bom, compadre, manda brasa", disse Chávez,
diante da platéia dos Empresários pela Venezuela (Empreven),
pró-governo. "Se a Fedecámaras quer nos enfrentar,
quer enfrentar o país, adiante, Fedecámaras, mas vão
ficar sem 'Fe', sem 'de' e sem 'cámaras'." Integrantes da
Empreven disseram estar prontos para "substituir" a Fedecámaras,
criada em 1944. Foi uma resposta a
um comunicado divulgado na manhã de segunda-feira pelo presidente
da Fedecámaras, José Manuel González, pedindo que
os venezuelanos se unissem para votar "não" no referendo
do domingo. "O trabalhador venezuelano aprecia os postos de trabalho
de nossas indústrias, comércios, fábricas privadas,
e sem consulta, de forma contrária a nossa maneira de ser, querem
impor-nos uma proposta que atenta aberta e definitivamente contra as oportunidades
de trabalho estável que representa o setor privado venezuelano",
diz o comunicado. A proposta, que modifica
69 artigos da Constituição, introduz uma forma de "propriedade
social". Por meio dela, os conselhos populares, criados pelo governo
Chávez, poderão possuir empresas. Chávez nega que
vá eliminar o direito à propriedade privada. No comunicado, a Fedecámaras
se solidariza com a Igreja católica, outro alvo da incendiária
retórica de Chávez. Em entrevista a jornalistas simpáticos
ao governo, na noite de domingo, Chávez fez uma advertência
aos dirigentes católicos, que qualificam a reforma de "anticristã":
"Se continuarem dizendo essas coisas, vamos ter que fazer algo. É
triste ver um padre na prisão, mas paciência tem limite."
Em discurso num evento de mulheres a favor do "sim", Chávez
chamou ontem os dirigentes católicos de "fariseus e hipócritas".
Já o vice-presidente
Jorge Rodríguez anunciou ontem que ia denunciar a Conferência
Episcopal da Venezuela (CEV) perante o Conselho Nacional Eleitoral, para
que investigue se a entidade está atuando como "partido político".
Segundo Rodríguez, que lidera a mobilização em favor
do "sim" no referendo, integrantes do "comando delinqüencial
da resistência" (Comando Nacional da Resistência, contrário
à reforma) se reuniram no domingo no Instituto Diocesano, em Maracay,
"planejando as tramóias ocorridas ontem em Carabobo e Arágua
(Estados no norte do país)", onde confrontos deixaram um morto
e seis feridos, na segunda-feira. "Se é um partido político,
que determine se se inscreveu no bloco do 'não', e se cumpriu com
os requisitos exigidos", pediu Rodríguez. Apesar das ameaças,
o vice-presidente da CEV, monsenhor Roberto Lückert, voltou à
carga ontem. "Ele (Chávez) vai tentar ganhar de qualquer jeito,
mas vai ser tal a avalanche de votos (contra), que vai ficar difícil
para ele fazer a trapaça que sempre fez", disse o dirigente
católico à Rádio Caracol, de Bogotá. Rodríguez,
que chefia o Comando Zamora, de mobilização pelo "sim",
acusou os oposicionistas da morte do operário José Aníbal
Yépez, em confronto com manifestantes, em Guacara (Carabobo). Yépez,
19 anos, cuja mulher está grávida de seis meses, trabalhava
na companhia estatal Petrocasa. Ele estava num grupo de operários
que queriam passar com material de construção por uma avenida
ocupada por manifestantes oposicionistas. Segundo o vice-presidente, o
autor dos disparos é o dono de um bufê de festas. Quatro
pessoas foram detidas. "Deve-se aplicar
todo o peso da lei sobre o assassino, sem contemplação nenhuma.
Trinta anos de cárcere", disse Chávez, no evento com
as mulheres a favor do governo, num ginásio de Caracas. "Sabemos
quem são os autores intelectuais, e para cada porco chegará
seu sábado", sentenciou. "Há autores intelectuais
no Pentágono, mas aqui também há autores intelectuais
que cumprem ordens do império norte-americano", prosseguiu
o presidente. "Não creiam que a impunidade na qual estão
se movendo será eterna. Chegará o dia em que teremos as
provas suficientes, sempre no marco da Constituição, que
a partir de domingo será vermelhinha." Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |