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Opositores
de Chávez põem 200 mil nas ruas de Caracas contra reforma |
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LOURIVAL SANTANNA |
Sexta-feira,
30 de novembro de 2007
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CARACAS Goicoechea, procurando
neutralizar o discurso de Chávez, que se apresenta como o presidente
dos pobres e desqualifica a oposição como "oligarquia
de direita a serviço do império norte-americano". "Hoje é
uma homenagem a Simon Bolívar, na avenida que leva seu nome",
disse Goicoechea, apropriando-se de outro ícone do presidente,
que diz estar conduzindo uma "revolução bolivariana".
"É uma homenagem à dignidade do ser humano, que é
dono do seu destino, ao progresso, à revolução verdadeira
e à tolerância." A reforma modifica
69 artigos da Constituição. Prevê a reeleição
ilimitada do presidente e lhe dá a prerrogativa de nomear administradores
de regiões federais e de interferir na promoção dos
militares, a partir de tenentes. Institucionaliza uma nova força
armada popular. Introduz uma nova forma de "propriedade social".
Legaliza "conselhos populares" custeados pelo governo, que passariam
a gerir empresas e a formar instâncias paralelas ao Legislativo,
aos sindicatos e às entidades estudantis. "A reforma constitucional
é a limitação da criatividade e do trabalho do povo,
a concentração do poder de 26 milhões de venezuelanos
numa só pessoa", disse Goicoechea. "Pretende que os venezuelanos
não tenhamos direito de escolher as autoridades, que sejamos inimigos
e não compatriotas. Hoje, estendemos a mão à outra
metade do país." Segundo as últimas pesquisas, o voto
no "não" tem uma ligeira vantagem sobre o "sim",
mas dentro da margem de erro, configurando empate técnico. Goicoechea mandou
um recado a Chávez, que pretende disputar a sua segunda reeleição
em 2012: "O senhor pode ficar de acordo com a Constituição.
Dentro da Constituição, tudo. Fora dela, nada." E arrematou:
"O senhor manda, mas manda como democrata. Se não, encontrará
o bravo povo na rua." Esse tipo de advertência
foi feito também por outros oradores. "Não estamos
armados, mas não somos tontos, e estamos prontos a defender nossos
direitos", disse Henrique Capriles, prefeito de Baruta, município
da Grande Caracas. "Temos que estar
dispostos - e aqui não vai nenhuma ameaça - a defender a
vontade do povo venezuelano na rua, sem violência, com disciplina",
exortou Freddy Guevara, dirigente estudantil da Universidade Católica
Andrés Bello. Guevara dez um apelo aos abstencionistas: "Marchamos
muito, tragamos muito gás lacrimogêneo, agüentamos muitas
balas, mataram estudantes. Só pedimos, pelo futuro da Venezuela,
que saiam a votar." Ele pediu aos eleitores
que votem "cedinho" no domingo e depois voltem às seções
eleitorais para "vigiar o voto". "Não confiamos
no CNE (Conselho Nacional Eleitoral), e sabemos que a reforma é
inconstitucional, mas o voto é o cartucho que temos para solucionar
esse conflito de forma pacífica." Quatro deputados federais
brasileiros chegaram ontem à noite a Caracas para atuar como observadores
do referendo. A delegação é composta por Aldo Rebelo
(PC do B-SP), Vieira Cunha (PDT-RS), Arnon Bezerra (PTB-CE) e Nilson Mourão
(PT-AC). Os deputados vêm a convite do CNE. Desde a manhã
estudantes de outras partes da Venezuela começaram a chegar em
ônibus a Caracas. Depois do almoço, multidões de pessoas
começaram a sair de seus escritórios e casas, caminhando
pelas ruas do centro em direção à Avenida Bolívar.
Muitos carros buzinavam em sinal de apoio. "Não queremos um
ditador, a Venezuela é de todos", disse o cirurgião
Jorge Castro, de 58 anos, que deixou o pronto-socorro para se juntar à
manifestação. "Essa reforma tira a nossa liberdade", criticou a advogada María Jesús Puente, cujo filho, Henrique, de 15 anos, vinha num grupo de três rapazes tocando tambores que animaram a marcha. "A reforma tira os nossos direitos e dá o poder a uma pessoa só", opinou Giuseppe Cianci, de 19 anos, estudante de arquitetura e integrante da pequena banda. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |