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Chávez
quer liderar América Latina |
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LOURIVAL SANTANNA |
Domingo,
2 de dezembro de 2007
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CARACAS A importância
da reforma para esse projeto está na reformulação
do artigo 153 da Constituição. O texto atual fala em "promover
a integração latino-americana e caribenha", nos termos
usuais dos tratados internacionais. A nova formulação elimina
a idéia de relações entre nações, e
estabelece como objetivo transformar o subcontinente numa só nação. "A República
promoverá a integração, a confederação
e a união da América Latina e do Caribe", diz o novo
texto. O objetivo é "a estruturação de novos
modelos que permitam a criação de um espaço geopolítico,
dentro do qual os povos e governos de nossa América vão
construindo um só projeto grão-nacional, a que Simón
Bolívar chamou 'uma nação de Repúblicas'." Se estivesse, seria
apenas uma "revolução socialista". O termo "bolivariano"
significa, para ele, levar adiante um plano idealizado por Bolívar
há 200 anos, de criar uma poderosa nação americana
por sobre as fronteiras artificiais desenhadas pelas potências ibéricas,
que deram origem aos Estados latino-americanos modernos. Chávez não
reinventou isso agora. Essa tese renasceu há 40 anos na Venezuela,
e desde então tem influenciado não só a esquerda
revolucionária civil como a militar, da qual Chávez é
ao mesmo tempo um produto, um importante formulador e um líder. Segundo essa linha
de pensamento, a Venezuela é a líder natural dessa grande
nação latino-americana, por possuir as maiores reservas
de petróleo do mundo, segundo as estimativas da estatal PDVSA,
que levam em conta depósitos prováveis e possíveis,
óleo extra-pesado e betume, que se tornarão rentáveis
à medida que a tecnologia avance e o preço do barril se
mantenha nos níveis exorbitantes em que está hoje. Por esse critério,
a Venezuela supera a Arábia Saudita, maior produtora mundial, respondendo
por um quinto do petróleo do mundo e por 87% da América
Latina e Caribe (mais detalhes em
Petróleo é arma para poder regional). Para Chávez,
de 53 anos, que com a reforma pretende permanecer décadas no poder,
só há um país que pode se interpor no seu plano de
liderar essa grande nação latino-americana: o Brasil. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |