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Chávez
levou 7 horas para admitir a derrota |
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LOURIVAL SANTANNA |
Terça-feira,
4 de dezembro de 2007
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CARACAS "Tentaram atrasar
a divulgação, na esperança de que os números
mudassem", disse ao Estado o observador internacional português
José Albino Silva Peneda, deputado do Parlamento Europeu. "Há
quem diga que estavam convencendo Chávez a aceitar a derrota",
continuou Peneda, que chefiou a missão de observadores internacionais
na tumultuada eleição parlamentar de 2005. "Mas a pressão
para divulgar o resultado estava muito forte. Os partidos de oposição
tinham os números." A demora do CNE em
divulgar o boletim gerou enorme tensão. Nas portas do CNE, dirigentes
oposicionistas exigiam uma satisfação. "Bravo povo
da Venezuela, não durma", exortou Antonio Ledezma, do Comando
Nacional de Resistência, que liderou a campanha contra a reforma.
"A madrugada é perigosa." O gráfico da
contagem, obtido pelo Estado, mostra que em nenhum momento o "sim"
ficou acima do "não", ao contrário das pesquisas
de boca-de-urna realizadas pelos três principais institutos do país,
que previam a aprovação da reforma por uma margem de seis
a oito pontos porcentuais. E ao contrário, também, do que
deu a entender o vice-presidente Jorge Rodríguez, que comandou
a campanha em favor da reforma e afirmou, no fim da noite, que "a
disputa estava apertada", sugerindo que o "sim" e o "não"
oscilavam de posição na contagem. Não oscilavam.
No início da
contagem, o "não" vencia por margem expressiva, de mais
de oito pontos porcentuais. No
horário em que o CNE tinha se comprometido a divulgar o primeiro
boletim, essa margem tinha caído para quatro pontos, mas seguia
consistente (ver gráfico). Ao reconhecer a derrota, Chávez
deixou claro que tinha acompanhado passo a passo a contagem do CNE, dirigido
por cinco "reitores", dos quais quatro são vinculados
ao governo. "A situação
veio se complicando, por distintas razões, durante a tarde, com
diferenças microscópicas, mas sempre com o 'não'
por cima", reconheceu o presidente, num pronunciamento excepcionalmente
sóbrio, no Palácio Miraflores, à 1h30 (3h30 em Brasília)
da madrugada. "O dilema em que me debatia, se não era irreversível,
vamos submeter o país, a Venezuela não merece uma tensão
como essa", balbuciou Chávez, aparentemente ainda um pouco
perturbado. Recuperando o seu
estilo ferino, o presidente encontrou ânimo para esnobar: "Essa
vitória 'pírrica' (de alto preço) eu não teria
querido." E para fazer uma recomendação à oposição:
"Saibam administrar essa vitória." Na platéia
se encontravam seus principais ministros e assessores, vários deles
com os olhos vermelhos. Também estavam a senadora colombiana Piedad
Córdoba, devidamente vestida de vermelho-púrpura, a cor
oficial dos chavistas, e a mãe e a irmã da ex-candidata
a presidente da Colômbia Ingrid Betancourt, refém das Forças
Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). "Sigo às
ordens", disse ele às três mulheres, referindo-se a
seu papel de mediador, do qual foi excluído pelo presidente Álvaro
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