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Escassez
e inflação debilitaram Chávez |
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LOURIVAL SANTANNA |
Quarta-feira,
5 de dezembro de 2007
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CARACAS A inflação
tem relação direta com o desabastecimento: os preços
dos produtos essenciais são controlados, e quanto maior a disparidade
entre a tabela e o mercado, maior o seu desvio das gôndolas dos
supermercados para países vizinhos como a Colômbia e para
os camelôs, que os vendem muito mais caro. De acordo com o diretor
do instituto de pesquisas Datanálisis, Luis Vicente León,
as intenções de voto contra a reforma constitucional cresceram
em novembro, quando "explodiu o problema mais grave do desabastecimento
de leite". León disse ao Estado que a inflação,
em si, ainda não é um problema eleitoral para o governo,
mas "vai ser". González enumerou
as seguintes causas da inflação: o excesso de liquidez da
economia, provocado pelo ingresso das receitas do petróleo a preços
recordes (o barril venezuelano é vendido a US$ 63, por ser de qualidade
inferior); o aumento nos gastos públicos; o "diferencial cambial"
entre a cotação oficial do bolívar (2.200 por dólar)
e o paralelo (5.500); falhas no planejamento das importações;
e incapacidade da indústria local de atender à demanda.
"Os investimentos
externos estão sumamente baixos", disse González. "Falta
gerar segurança jurídica, para atrair os investimentos,
que são tão necessários." O presidente da Confederação
Venezuelana de Industriais, Eduardo Gómez Sigala, advertiu, no
mês passado, que, no primeiro trimestre de 2008, haveria maior escassez.
Segundo ele, desde a primeira eleição de Chávez,
em 1998, 6 mil fábricas, ou 40% do parque industrial venezuelano,
foram fechadas, por causa do excesso de regulação, impostos
altos, entraves burocráticos e estatização de empresas.
Segundo o diretor
do Datanálisis, a derrota de Chávez se deveu a "causas
múltiplas". Além do desabastecimento, ele cita: a não-renovação
da licença do canal RCTV, em maio, condenada por quase 80% dos
entrevistados; a "concentração total de poder nas mãos
do presidente", embutida na reforma e rejeitada por 60% desde o início
de junho; a repressão ao movimento estudantil em outubro e as agressões
verbais de Chávez, que chamou os estudantes de "golpistas"
e "fascistas"; a denúncia do general Raúl Baduel,
ex-ministro da Defesa e um "símbolo do chavismo", de
que a reforma era um "golpe"; a campanha da ex-primeira-dama
María Isabel Rodríguez contra a reforma; e a dissidência
do partido Podemos, que até então apoiava o governo. León lembra
que, em novembro, o "não" abriu 9 pontos de vantagem.
Na reta final, porém, Chávez se engajou na campanha, transformando
o referendo num plebiscito sobre o presidente e "elevando o custo",
para os seus simpatizantes, de votar "não". Parte deles
recorreu, então, à abstenção, que foi de 44%.
Na última pesquisa do Datanálisis, realizada dia 26, o "não"
vencia o "sim" por 51,21% a 48,78%. O resultado ficou próximo
do divulgado pelo Conselho Nacional Eleitoral, com 88% dos votos contados:
50,70% a 49,29% no bloco A, das alterações propostas por
Chávez; e 51,05% a 48,94% no bloco B, proposto pela Assembléia
Nacional. O "sim"
teve 3 milhões a menos de votos do que Chávez na reeleição
de dezembro do ano passado, quando ele reuniu 7,3 milhões. A reforma
venceu em 15 dos 23 Estados. Mas foi derrotada nos mais populosos do país,
incluindo Zulia, governado por Manuel Rosales, segundo colocado na eleição
presidencial do ano passado. De acordo com o diretor do Datanálisis, Chávez deve tentar agora atenuar o prejuízo em sua popularidade, apresentando-se como um "democrata", depois de ter sido tachado de "ditador". "E tem razão nisso, já que ficou provado que parte da oposição, que não confiava no sistema eleitoral, estava errada." Chávez recebeu uma enxurrada de elogios por ter aceitado o resultado das urnas, incluindo do chanceler brasileiro, Celso Amorim. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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