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Venezuela
vota dividida ao meio |
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LOURIVAL SANTANNA |
Domingo,
15 de fevereiro de 2009
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CARACAS Érica, de 30
anos, vendia barras de chocolate num ponto de ônibus do centro de
Caracas. Até que, há três meses, o então prefeito
do distrito de Libertador, Freddy Bernal, afilhado político de
Chávez, "deu-lhe" uma vaga para uma banca no Centro Comercial
Cipriano Castro, um camelódromo. Érica passou a vender roupas,
e seu rendimento líquido saltou de 150 para 300 bolívares
(cerca de R$ 300). "Minha vida melhorou", conclui. María Jesús
Varela também não tem a menor dúvida. "Rotundamente,
não", rejeita María, de 61 anos, que trabalha como
caixa numa loja de roupas de cama e mesa, no centro de Caracas. María
diz que nunca teve salário alto, mas, nos governos anteriores,
tinha mais poder aquisitivo, pôde comprar um apartamento e colocar
seus dois filhos na universidade. Agora, com seu salário de mil
bolívares (cerca de R$ 1 mil), mal consegue pagar o supermercado
do mês. "Nossa moeda não vale nada." Érica e María
representam bem as duas Venezuelas que se enfrentam hoje. O grosso do
eleitorado de Chávez é formado pelo contingente de excluídos,
de informais, que encontraram no seu regime alguma forma de inclusão
e de representação imediata. É o que o historiador
Manuel Caballero chama de "buonerização" ("buonero"
significa camelô) da política. Os programas sociais
criados por Chávez, chamados de "missões", empregam
800 mil pessoas, com salários de cerca de mil bolívares.
As 25 missões beneficiam, segundo o governo, 15 milhões
de pessoas, ou metade da população. E há os 4 milhões
de funcionários públicos, cujas escolhas políticas
são monitoradas de perto pelos seus superiores. Isso, num universo
de 17 milhões de eleitores. Do outro lado, estão
pessoas, como María Jesús, que trabalham - e já trabalhavam,
antes de Chávez - com carteira assinada, empresários e profissionais
liberais, que não são necessariamente de direita, mas não
sentem que devem algo ao presidente, assustam-se com a voracidade com
que ele se agarra ao poder e não se deixam convencer por sua retórica. A Venezuela está
dividida ao meio. É o que indicam o referendo de dezembro de 2007
(em que Chávez também tentou obter a reeleição
ilimitada e foi derrotado por 51% a 49%), as eleições estaduais
de novembro do ano passado (em que a oposição teve 45% dos
votos) e as pesquisas. Segundo sondagem do
instituto Datanálisis do dia 9, o "sim" venceria por
4 pontos porcentuais se fosse perguntado aos eleitores se eles aprovam
ou não a reeleição ilimitada; quando confrontados
com a tortuosa formulação da pergunta, como ela será
feita hoje nas urnas, a vantagem aumenta para 6,6 pontos: "Você
aprova a emenda dos artigos 160, 162, 174, 192 e 230 da Constituição,
tramitada pela Assembléia Nacional, que amplia os direitos políticos
do povo, com o fim de permitir que qualquer cidadão ou cidadã
no exercício de um cargo de eleição popular possa
ser sujeito de postulação como candidato ou candidata para
o mesmo cargo, pelo tempo estabelecido constitucionalmente, dependendo
sua possível eleição, exclusivamente, do voto popular?" A pesquisa indica
16% de indecisos. O diretor do Datanálisis, Luis Vicente León,
adverte: "Com esse resultado, não se pode dizer quem vai ganhar." Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |