Chávez culpa neoliberalismo por desastres ambientais

Venezuelano discursou como presidente de turno do G-77, mas FHC diz que essa não é a posição do bloco

JOHANNESBURG – O neoliberalismo é a causa dos desastres ambientais do planeta. Essa foi a tese apresentada pelo G-77, o bloco dos países em desenvolvimento ao qual pertence o Brasil, na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável. Hugo Chávez, presidente da Venezuela, que ocupa a presidência de turno do G-77, fez um de seus discursos habitualmente inflamados, com citações de Simón Bolívar e Jesus Cristo, provocando aplausos da platéia de chefes de Estado e de governo e de delegados de 190 países.

“Se quisermos alcançar o desenvolvimento sustentável, temos de enfrentar as elites e o modelo neoliberal”, disse Chávez. “A cada minuto, 17 pessoas morrem de fome no mundo. A pobreza é conseqüência do modelo de desenvolvimento imposto pelos poderosos. O neoliberalismo é o culpado.”

As teses fizeram grande sucesso entre muitos ouvintes. O presidente da Namíbia, Sam Nujoma, disse que “Chávez expressou o consenso do seus camaradas do Sul.” O presidente Fernando Henrique Cardoso foi mais sóbrio.

Durante entrevista, ele disse que não ouviu o discurso de Chávez, porque na hora estava reunido com o presidente da Romênia, Ion Iliescu. “Ouvi os aplausos”, disse, sorrindo. Informado do conteúdo, FHC disse apenas: “Não creio que seja a posição do G-77.”

À pergunta sobre se o Brasil está confortável no G-77, ao lado dos países exportadores de petróleo e de muitas ditaduras, o presidente respondeu: “O Brasil é um adolescente. Não fica confortável com a roupa que usa. Muitas vezes, não é compreendido pelos países do G-77. Outras vezes, pelos do G-8.”

Protecionismo agrícola – A causa do fim dos subsídios agrícolas e das barreiras comerciais aos produtos dos países em desenvolvimento ganhou oficialmente importantes adeptos na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável. Os representantes da União Européia, Alemanha, Grã-Bretanha e Canadá, além de países em desenvolvimento, como o Brasil, defenderam essa medida, como forma de promover o desenvolvimento sustentável.

Falando em nome da União Européia, o primeiro-ministro da Dinamarca, Anders Rasmussen, salientou que os 15% mais ricos do mundo detêm 88% da renda. E disse que, para aumentar o padrão de vida nos países em desenvolvimento, o caminho é o livre comércio e o desenvolviment sustentável. Rasmussen defendeu o livre comércio em todas as áreas, com exceção das armas.

“Os países desenvolvimentos têm que abrir seus mercados para os produtos dos países em desenvolvimento”, afirmou o primeiro-ministro britânico, Tony Blair. O mesmo fez o chanceler alemão, Gerhard Schröder. Quem não tocou no assunto foi o presidente Jacques Chirac, da França, núcleo da resistência européia ao fim dos subsídios.

O primeiro-ministro do Canadá, Jean Chrétien, disse que seu governo pretende eliminar todas as tarifas de importação sobre os produtos dos países em desenvolvimento até 2003. E anunciou também que o país ratificará o Protocolo de Kyoto até o fim do ano.

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