Primárias de amanhã podem consolidar Trump e Hillary

As primárias de amanhã no Michigan podem ser um passo decisivo na consolidação das candidaturas do republicano Donald Trump e da democrata Hillary Clinton. O bilionário poderá se afirmar como um candidato viável no Rust Belt, arco de Estados industriais decadentes prejudicados pela globalização. A região inclui outros dois “swing states” (que pendulam entre os dois partidos) de Ohio e Pennsylvania. Uma vitória de Hillary em um Estado de tradição sindicalista será mais um golpe contra o esquerdista Bernie Sanders, que tenta atrair esse eleitorado branco “blue-collar”, de baixa instrução.

Pesquisa feita pela Universidade Monmouth aponta vitória de Trump, com 36%, seguido do senador texano Ted Cruz, com 23%, e pelo governador de Ohio, John Kasich, com 21%; Marco Rubio, senador pela Flórida, fica em um distante 13%, abaixo da votação mínima de 15% para obter delegados. Já na primária democrata, a ex-secretária de Estado vence o senador por Vermont por 55% a 42%. No debate democrata de domingo, em Flint, cidade do Michigan abalada pela contaminação do lençol freático por um vazamento de chumbo, Hillary levou a melhor, acusando Sanders de não ter apoiado no Senado o pacote de resgate da economia apresentado pelo presidente Barack Obama, no início de seu primeiro mandato, em 2009. Além dos bancos, o pacote atendeu também a indústria automobilística, base da economia do Estado.

Matematicamente, tanto Trump quanto Hillary ainda estão distantes da nomeação. Até aqui, Trump conquistou 384 delegados, de um total de 1.237 necessários para se tornar o candidato. Cruz tem 300; Rubio, 151 e Kasich, 37. Ainda estão em disputa 1.585 delegados republicanos. Hillary obteve 672 delegados e Sanders, 477. Candidata preferida do establishment, a ex-secretária e ex-senadora por Nova York conta também com o apoio de 458 “superdelegados”, dirigentes democratas que votam sem ter de passar pelas primárias, enquanto o senador tem apenas 22. Somando, Hillary tem garantidos 1.130 votos na convenção e Sanders, 499. São necessários 2.382 para vencer, e falta definir 3.136. O Michigan elege 59 delegados republicanos e 130 democratas (além de 17 superdelegados).

Para além dos números, uma vitória no Michigan, depois da liderança conquistada na Super Terça-Feira, fortalecerá as posições de Trump e de Hillary. A secretária de Estado praticamente já é candidata, e preocupa-se e firmar-se como a democrata capaz de derrotar o fenômeno Trump. O bilionário provará que a campanha contra ele, não só dos pré-candidatos adversários, mas de grande parte da direção do Partido Republicano, não está fazendo efeito. Seu apelo é sobre eleitores exasperados com os lobbies em Washington, a intervenção do Estado, a imigração e outros incômodos que os conservadores associam ao “liberalismo”, no sentido americano. Os ataques ao bilionário só têm reforçado seu perfil de outsider, ferozmente independente e sincero. Muitos americanos querem isso.

Publicado em O Estadão. Copyright: Grupo Estado. Todos os direitos reservados.

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