ONU pede a Israel que libere verba a palestinos

Repasse de impostos à Cisjordânia foi bloqueado depois que a Autoridade Palestina fechou acordo para formar um governo de união com o Hamas

 

RAMALLAH

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o governo da Noruega, que preside o grupo de países doadores à Autoridade Palestina, exortaram ontem Israela desbloquear o repasse da receita de impostos devidos aos palestinos. O bloqueio teve início depois que a facção moderada Fatah, que administra a Cisjordânia e dirige a Autoridade Palestina, fechou um acordo com o Hamas, grupo fundamentalista islâmico que governa a Faixa de Gaza, para formar um governo de união nacional. 

Os salários dos 165 mil funcionários públicos palestinos, importante motor da frágil economia dos territórios, estão atrasados por causa do bloqueio dos repasses, que somam cerca de US$ 100 milhões por mês, e se referem à arrecadação de impostos sobre produtos consumidos na Cisjordânia. Os funcionários recebem seus salários na primeira semana de cada mês, e até ontem não tinham sido depositados. 

A folha de pagamentos consome US$ 185 milhões. O restante é coberto por doações da União Europeia (UE). A pedido do primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, a UE anunciou a doação extra de US$ 122 milhões para fechar o rombo criado pelo bloqueio israelense. “O dinheiro é dos palestinos, mas não podemos transferi-lo para uma organização terrorista”, disse Mark Regev, porta-voz do governo de Israel, referindo-se ao Hamas. 

A crise financeira não se faz sentir ainda na Cisjordânia, cuja economia cresceu 9,6% no ano passado, impulsionada por um boom de construção civil, serviços e consumo, sobretudo em Ramallah, a sede da Autoridade Palestina. 

A cidade de 170 mil habitantes, que se prepara para se tornar a capital de facto do novo Estado, que deve ser proclamado em setembro – embora os palestinos mantenham a reivindicação de Jerusalém oriental como sua capital -, ganhou 6 novos hotéis só no último ano, e um sétimo está em construção. Em cinco anos, surgiram mais de 50 restaurantes, cafés e bares na cidade, além de centros comerciais, edifícios de escritórios e bairros residenciais cheios de casas novas.

Juman Quneis, de 35 anos, professora de radiojornalismo na Universidade Bir Zeit, estava no Café dela Paix (“Café da Paz”) com suas alunas ontem à tarde. “Estou muito feliz com a reconciliação, mas é tarde demais”, disse a professora. “Foi um desperdício de tempo, sangue e dos nossos interesses.”Mahmud Shriteh, de 49 anos, que trabalha na construção, acha que agora os palestinos poderão virar o jogo: “Quando declararmos nosso Estado, Israel ficará contra a parede. Eles serão culpados quando as coisas não derem certo.”

 

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